Siga-nos

Perfil

Expresso

Desporto

A lenda de Kobe Bryant ou como acabar uma carreira brilhante com 60 pontos

  • 333

Gary A. Vasquez / USA Today Sports

No último jogo da sua carreira, o basquetebolista revisitou os seus tempos de glória nos Los Angeles Lakers. O pentacampeão da NBA que todos pensavam estar desaparecido voltou por um dia e para quebrar recordes. Marcou 60 pontos, bateu recordes de Michael Jordan e protagonizou a mais sensacional despedida na história da liga norte-americana

Goste-se ou odeie-se de Kobe Bryant, há algo que qualquer adepto de basquetebol não pode negar: esta quarta-feira (madrugada de quinta-feira em Portugal), aquele que foi para muitos o jogador de uma geração fez o melhor jogo de despedida na História da NBA. Na sua última noite com a camisola dos Los Angeles Lakers e como basquetebolista, o “velho Mamba” esteve de volta.

Despachemos o facto: a partida frente aos Utah Jazz, no Staples Center, terminou com uma vitória para os Lakers por 101-96. Mas o resultado aqui é o que menos importa. Afinal, esta foi a noite em que Kobe trouxe de volta o seu antigo “eu” – aquele que todos julgavam desaparecido por entre os livros de recordes – para uma exibição digna de campeão.

À entrada para o jogo, as esperanças não estavam altas e toda a gente esperava uma simples volta da vitória ao recinto. No teto, balões e vídeos de homenagem ao “Mamba” – alcunha por que é conhecido junto dos adeptos dos Lakers. No chão, os dois números do jogador (o 8 e o 24) recordavam a história que, era quase certo, não seria feita naquela noite. Mas Bryant saiu com um estrondo, num daqueles raros momentos em que um atleta, um dia o melhor entre todos, se encontra com a magia de outrora.

Aos 37 anos de idade, Kobe teve uma autêntica “licença para marcar”: jogou durante 42 minutos, bateu o recorde de mais pontos num só jogo esta época e ultrapassou Michael Jordan no maior número de lançamentos num único jogo (50) nos últimos 30 anos. Nunca um jogador havia marcado 50 pontos no seu jogo de despedida: Bryant fez 60.

“A melhor parte foi que os meus filhos puderam ver-me jogar como fazia antigamente”, disse Bryant, no final do jogo. “Eles disseram-me: ‘Uau, pai!’; ao que eu respondi: ‘Sim, eu costumava fazer aquilo’. Eles não acreditaram, por isso agora mandei-os ir procurar vídeos ao YouTube.”

Bryant envergou a camisola dos Los Angeles Lakers durante 20 épocas, feito incrível numa liga profissional onde a lealdade a uma equipa é coisa rara. Tem cinco anéis de campeão, entrou onze vezes na “equipa do ano” da NBA é o terceiro melhor marcador da história da liga.

Nos últimos anos, as lesões atormentaram-no e a equipa tem conhecido o dissabor dos últimos lugares da NBA (este ano, os Lakers terminam em último, com o pior registo da Conferência Oeste e a pior época de sempre). Uma temporada desastrosa mas facilmente esquecida no meio de tantas; já a despedida de Bryant ficará para a história.

Várias estrelas da NBA reagiram através do Twitter à sensacional exibição do capitão dos Lakers. “A melhor performance final de sempre na história do desporto”, disse a antiga estrela dos Lakers Magic Johnson, numa onda de entusiasmo que chegou até ao Presidente Barack Obama.

“É como se estivesse num nevoeiro”, disse Kobe, na última conferência de imprensa como basquetebolista. “É como tudo se estivesse a mover muito lentamente, mas ao mesmo tempo muito rápido. Tentas absover tudo mas não sabes para onde olhar.”

Podemos tirar Bryant do jogo mas é quase certo que o basquetebol não sairá de Bryant. Muito se tem especulado sobre um seu futuro papel na modalidade como comentador televisivo – ao lado de outras lendas como Charles Barkley ou Shaquille O’Neal – ou até empresário. Por agora, no momento da despedida, é o próprio quem se limita a dizer: “‘Mamba’ out”.