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Ele andou a correr atrás de Klinsmann no último Benfica-Bayern

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5 de dezembro de 1995, Estádio da Luz. Klinsmann partiu com vantagem e Pedro Henriques já não teve pernas para apanhá-lo

DR

A última vez que o Bayern de Munique veio à Luz, em 1995, Pedro Henriques ficou com uma história para contar aos netos. O problema é que o conto que se segue não foi lá muito positivo: Pedro Henriques bem tentou deter o craque dos alemães, mas Jürgen Klinsmann bisou (já tinha marcado os quatro do 4-1 da 1ª mão) e o Benfica perdeu por 1-3. O antigo jogador do Benfica fala ao Expresso na primeira pessoa e antevê o Benfica-Bayern desta noite (19h45, RTP1)

PEDRO HENRIQUES (EX-JOGADOR DE FUTEBOL E ATUAL COMENTADOR DA SPORTTV)

A primeira memória que tenho do Benfica-Bayern de Munique de 1995 ficou imortalizada numa fotografia que tenho, tirada em pleno Estádio da Luz. Nela vê-se a minha perseguição infrutífera a Jürgen Klinsmann, que acabaria por marcar golo, aos 31 minutos.

O momento foi rápido, como em tudo o que acontece num jogo de futebol, mas, em poucos segundos, as coisas que nos passam pela cabeça ficam para sempre. Lembro-me de pensar que se ele perdesse algum tempo, desse um toque mais imperfeito na bola, eu poderia recuperar o atraso que levava, que em boa verdade derivava da posição dele ser vantajosa em relação à minha, pois eu estava a dobrar um companheiro – termo utilizado quando um jogador vai em auxílio do próximo.

A verdade é que isso não aconteceu. A distância não foi reduzida e ele marcou mesmo. Obviamente, ele era mais rápido e mais forte do que eu: tentando descrevê-lo, diria para imaginarem a potência de um comboio, embalado com a agilidade e eficácia de um carro alemão. Eis Jürgen Klinsmann!

Atualmente comentador da SportTV, Pedro Henriques (na foto a fazer um carrinho) formou-se como jogador no Benfica, onde esteve até 1996/97. Nessa altura assinou pelo Vitória de Setúbal, onde já tinha estado emprestado em 1994/95

Atualmente comentador da SportTV, Pedro Henriques (na foto a fazer um carrinho) formou-se como jogador no Benfica, onde esteve até 1996/97. Nessa altura assinou pelo Vitória de Setúbal, onde já tinha estado emprestado em 1994/95

Getty

A segunda memória que tenho do jogo – e que pode servir de alerta – é que entrámos bem. Esquecemos o resultado da primeira mão e apontámos a esse duelo como se estivesse 0-0.

O importante era ganhar essa partida e deixar uma imagem diferente, depois e mediante o que fosse acontecendo, logo se via o que iria dar. Foi assim que, com um início prometedor, adiantámo-nos no marcador através do grande Valdo, aos 13 minutos.

O golo do empate (o tal golo de Klinsmann) foi um rude golpe para nós. E a verdade veio ao de cima: no final, Benfica um, Bayern três!

Não foi só ao Benfica que Klinsmann marcou (seis dos sete golos da eliminatória, que ficou em 7-2): os 15 golos que o "Bombardeiro dourado" marcou na competição deram a Taça UEFA ao Bayern de Munique em 1995/96

Não foi só ao Benfica que Klinsmann marcou (seis dos sete golos da eliminatória, que ficou em 7-2): os 15 golos que o "Bombardeiro dourado" marcou na competição deram a Taça UEFA ao Bayern de Munique em 1995/96

Reuters

Os tempos mudaram, o treino e a preparação dos jogos também, mas o Bayern continua pujante como nessa altura – e o Benfica recuperou a estabilidade e dimensão que começou a perder em 1994/95.

Depois da boa imagem que os comandados por Rui Vitória deixaram no jogo da primeira mão em Munique, concentrados, personalizados e competentes, sem dúvida que um objetivo foi cumprido: trazer a eliminatória em aberto para o Estádio da Luz.

Estou convencido que a tarefa do Benfica será muito difícil. Esta equipa de Guardiola esconde a bola como ninguém e tem jogadores que podem resolver o jogo num momento de inspiração, sendo também certo que, com a sua forma de jogar e atacar, se desequilibra defensivamente. Ao Benfica resta jogar como se não houvesse amanhã, atuando com o equilíbrio e a inteligência que tem sido a imagem de marca esta temporada.

Deixo também as palavras de Diego Simeone, treinador do Atlético de Madrid, a propósito deste tipo de jogos em que claramente e no plano teórico, o adversário é mais poderoso. Mais ou menos isto: “Eles são melhores, mas num jogo só nós podemos batê-los!”