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Masters de Augusta: do céu ao inferno em cinco minutos

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Michael Madrid / USA Today Sports

Na reta final do primeiro torneio “Major” de golfe do ano, o vencedor de 2015 Jordan Spieth estava bem lançado para repetir a façanha. Mas um 12.º buraco absolutamente desastroso (sete pancadas num Par 3) do norte-americano abriu a passadeira ao improvável Danny Willett como novo detentor do icónico “casaco verde” que distingue os vencedores em Augusta

Apesar da aparente calma que, para os mais incautos, caracteriza o golfe, a reta final do Masters de Augusta – o primeiro torneio “Major” do ano – deste domingo foram impróprios para cardíacos. Um resultado que parecia decidido à entrada para os derradeiros nove buracos, sofreu um dramático revés perto do final, coroando um novo “casaco verde” (só envergado pelos vencedores do torneio) e provando que até os campeões têm momentos maus.

Um aparentemente fácil buraco de Par três tornou-se um autêntico tormento para Jordan Spieth, vencedor do Masters de 2015 e atual sensação do golfe mundial, apontado como o sucessor de Tiger Woods. Duas pancadas consecutivas a água e uma terceira para o “bunker” valeram-lhe um bogey quádruplo (quatro tacadas acima abaixo do Par) no 12.º buraco... e a derrota no torneio para o golfista inglês Danny Willett.

O desaire custou a Spieth perto de 800 mil euros, diferença entre o prémio do primeiro para o segundo lugar (onde ficou, empatado com outro inglês, Lee Westwood). O novo campeão levou para casa 1,8 milhões de dólares (1,5 milhões de euros).

O “novo Tiger Woods” meteu água

Tal como em 2015, em que liderou do primeiro ao quarto dia, este ano Spieth – de apenas 22 anos, jogador do ano em 2015 – estava na frente desde quinta-feira. Este domingo, à entrada para o buraco 10 apresentava um resultado de -7 e dispunha de uma vantagem de cinco pancadas sobre os seus adversários mais próximos. E se no ano passado o “novato” havia liderado o torneio do primeiro ao último buraco, com a calma digna de um veterano, este ano todos já esperavam uma repetição do ano anterior.

Spieth, campeão do Masters e Jogador do Ano em 2015, corre atrás do prejuízo no 18º buraco do circuito de Augusta

Spieth, campeão do Masters e Jogador do Ano em 2015, corre atrás do prejuízo no 18º buraco do circuito de Augusta

ANDREW GOMBERT / EPA

A passadeira para a vitória parecia estar estendida a nove buracos do fim. E quando Spieth está na frente, com tamanha vantagem, não é costume que de lá seja obrigado a sair. Mas até os melhores quebram e o norte-americano não foi exceção.

Antes de chegar ao Golden Bell (nome do 12.º buraco que lhe tramou em definitivo as contas e de dourado nada teve, afinal), dois bogeys (uma pancada acima do Par) nos buracos 10 e 11 pareceram anunciar o descalabro. Chegado ao 12.º buraco, um Par três, as primeiras duas pancadas voaram em direção a Rae's Creek – o famoso riacho que se apresenta como uma frente de proteção ao green – e a terceira pancada foi atirada para o “bunker”. Num intervalo de cinco minutos, não mais do que isso, o sonho de uma segunda vitória em Augusta ficou desfeito. Spith ainda tentou correr atrás do prejuízo e fez dois birdies (uma pancada abaixo do Par) nos buracos 13 e 15, mas o quarto bogey do dia no 17 e uma exibição notável do britânico Willett na derradeira jornada em Augusta (cinco birdies e nenhum bogey) não permitiu nova reviravolta.

Jordan Spieth e o seu caddy, após o bogey quádruplo (quatro tacadas acima do par) no 12º buraco do Masters de Augusta

Jordan Spieth e o seu caddy, após o bogey quádruplo (quatro tacadas acima do par) no 12º buraco do Masters de Augusta

Rob Schumacher / USA Today Sports

O colapso de Jordan Spieth impediu-o de tornar-se o mais jovem jogador de sempre a ganhar dois Masters consecutivos. Em vez disso, fica o choque: “A longo prazo, esta derrota vai doer”, disse no final, sem explicação para o que sucedeu. “Vou demorar um pouco a recuperar desta.”

Não bastando a derrota, o norte-americano teve ainda de “aguentar” a passagem de testemunho ao novo campeão. “Não consigo imaginar que alguém tenha tido uma pior cerimónia do que eu”, confessou. Até os seus pares corroboram: o líder do ranking mundial, o australiano Jason Day, que concluiu na 14ª posição, disse estar “absolutamente chocado” com o sucedido a Spieth.

A alegria de Danny Willett, novo detentor de um “casaco verde” do Masters de Augusta, contrasta com o ar resignado de Jordan Speith

A alegria de Danny Willett, novo detentor de um “casaco verde” do Masters de Augusta, contrasta com o ar resignado de Jordan Speith

TANNEN MAURY / EPA

Um campeão improvável

Na agonia de uns, a alegria de outros. Com o desaire de Jordan Spieth, foi o inglês Danny Willett quem se tornou o improvável vencedor do Masters, com menos duas pancadas que os seus adversários diretos.

Aos 28 anos e já vencedor de sete outros torneios profissionais, o triunfo de Willett no Masters foi o seu primeiro no PGA, o mais reputado circuito internacional. Antes dele, só um golfista britânico tinha ganho em Augusta: Nick Faldo, em três ocasiões (1989, 1990 e 1996). De resto, desde 1999, ano em que triunfou pela segunda vez o espanhol José Maria Olázabal, que nenhum golfista europeu vestia o casaco verde.

Willett desvaloriza o eventual demérito do adversário. “Se eu não estivesse abaixo do Par, não interessaria o que o Jordan [Speith] teria feito”, admite o campeão, que descreve a experiência como “verdadeiramente surreal”.

Para o novo possuidor de um “casaco verde” de Augusra, é hora de celebrar com a família, que muito tem usado as redes sociais para expressar a sua alegria perante a vitória de sonho de Willett. O seu irmão P.J. Willett tomou o Twitter de assalto com frases de incentivo e homenagem, no mínimo, hilariantes.

Tiradas como “Sem palavras. Uma vez esmurrei aquele miúdo em criança por magoar o meu rato de estimação. Agora olhem.” ou “Posso agora dizer que já tomei banho com um campeão do Masters” podem ler-se na conta, onde P.J. elogia ainda outros “atributos” do irmão. Algumas das melhores frases seguem em baixo, como lembrete de que o sofrimento dos campeões pode também ser a alegria de quem nunca havia pensado chegar ao topo.