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Candidato Pinto da Costa promete equipa à FC Porto

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JOSÉ COELHO / Lusa

A dez dias de ir a votos, Pinto da Costa admite que a equipa bateu no fundo, mas acredita que é capaz de voltar a formar um plantel com qualidade e caráter à Porto. Diz que errou ao confiar demais em Lopetegui e não garante Peseiro na próxima época

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Dois meses depois, Pinto da Costa voltou a dar uma entrevista de uma hora ao Porto Canal, a estação televisiva do clube, para bater outra vez em Julen Lopetegui, a besta negra culpada de quase todos os males da terceira época sem títulos do clube. Em contagem decrescente para a corrida ao 14º mandato, o contestado líder do FC Porto garantiu que já falou com os jogadores, que a seis jornadas do final da época estão todos postos à prova, garantindo que só ficarão na equipa aqueles que tiverem qualidade e caráter à FC Porto.

A preparar a próxima época com José Peseiro, a quem exige a vitória na final da Taça de Portugal, Pinto da Costa não garante a permanência do atual treinador, embora lhe aponte como única falha não ter marcado um penalti aos cinco minutos do jogo com o Tondela, o encontra que confessa o deixou envergonhado e despoletou uma onda de contestação sem precedentes nos seus largos 34 anos de liderança.

Na pele de adepto, o líder portista confessou perceber as críticas de que tem sido alvo nos últimos dias, mas alertou que o lançamento de petardos às 3.30 horas de madrugada, que diz ter atingido não a sua casa mas o jardim de um vizinho, não é um ato de contestação dos adeptos mas um ato de terrorismo que deve ser investigado pela Polícia Judiciária ou pela Brigada Anti-terrorismo.

Em tom de campanha eleitoral, Pinto da Costa optou no decurso da entrevista por nunca antagonizar os adeptos que "só se forem parvos ou infiltrados é que não querem ganhar títulos". A candidatura às eleições de 17 de abril é justificada, não em nome do passado ou como prémio pelo que ganhou no passado, que faz parte do museu, mas porque "as coisas estão mal" e "o FC Porto bateu no fundo".

Apesar dos seus 78 anos, Pinto da Costa advertiu que se sente com capacidade para um novo ciclo de vida no clube, prometendo a criação de um centro de treinos para a formação que integrará um colégio, bem como o regresso de algumas das jovens emprestados pelo clube, entre os quais Octávio, do Guimarães, Josué, do Brafa, e Rafa, da Académica.

Do atual plantel, até Casillas terá de mostrar nestas últimas seis jornadas, uma espécie de pré-época, que tem valor para ficar no FC Porto, tendo apenas elogiado Corona e Layun. Sobre as tão polémicas comissões pagas pelas transferências de jogadores, Pinto da Costa afirmou que o FC Porto "é uma vítima da sua transparência", dado que todos os pagamentos são escrutinados pela CMVM.

Preocupado "apenas com a qualidade dos jogadores", desvalorizou se os negócios são ou não feitos por empresários próximos ou familiares de administradores da SAD, pondo assim um ponto final nas alegadas chorudas comissões pagas ao seu filho, Alexandre Pinto da Costa.

Sobre as suas próprias culpas nos três anos de jejum de títulos, o líder portista remeteu-se sempre ao ano em curso, admitindo como único erro "ter confiado em quem não devia (ou seja, sempre Lopetegui), mas não volta a acontecer", que deixa subentendido que José Peseiro ou quem lhe suceder terá rédea curta em matéria de escolha de jogadores.

Da SAD e dos seus administradores, criticada por ganhar milhões de euros, Pinto da Costa passou ao lado, apenas revelado mudanças na direção do clube que deixará de ter 14 vice-presidentes para passar a apenas seis, sendo a principal novidade a criação da área do planeamento, que terá por vice Emídio Gomes, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte (CCDR-N).

Para a presidência da Assembleia Geral, apresentou Matos Fernandes, juiz desembargador e ex-secretário de Estado da Justiça, e ainda como diretor e provedor do sócio Rodrigo Barros, neto de Afonso Pinto Magalhães, antigo presidente do FC Porto.

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