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Correr, rematar, falhar - e perder

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ESTELA SILVA / LUSA

O Braga atacou mais, rematou mais, teve mais ocasiões, e perdeu (1-2) frente ao Shakthar, na primeira mão dos quartos de final da Liga Europa

Este foi o Braga - Shakthar (1-2):

Não é a primeira nem será a última vez que vemos uma história destas, em que uma equipa perde jogando melhor do que a outra, mesmo sendo pior do que a outra, porque os jogadores que tem são piores do que os que a outra tem.

Pondo os números nas coisas, o plantel do Braga vale €60 milhões e o do Shakthar vale quase o dobro (€112 milhões), o que obrigava o Braga a duplicar os seus valores se não quisesse ficar pela metade nos quartos de final. Como Paulo Fonseca disse antes do encontro, o Braga tinha de ser perfeito para ganhar e a perfeição não é um conceito vago, mas concreto. Perfeito é não ter falhas e como ninguém nem nada é infalível, o Braga errou.

O Braga rematou mais (20 disparos contra 12), mais vezes à baliza (6 contra 3) e mais vezes ao lado (8 contra 1), e teve menos remates bloqueados (5 contra 8). E também passou mais (443 passes contra 322) e teve menos foras de jogo (zero contra quatro).

Basicamente, o Braga de Fonseca dominou estatisticamente esta primeira mão, com um futebol de ataque vertiginoso, a fazer lembrar a primeira versão de Jesus no Benfica, em que se travava e acelerava muito e se andava pouco ao ralenti. Mas perdeu.

ESTELA SILVA / Lusa

Aquele estilo é vistoso, atraente e elogiável, só que tem os seus problemas,sobretudo quando não se concretiza o que se cria e se é apanhado na curva (num canto, 0-1; num contra-ataque, 0-2). E isso é perigoso contra uma equipa que está habituada a jogar fora de casa, até porque não a tem, já que vive e treina em Kiev e até disputará a segunda mão em Lviv, porque a cidade onde está sediada está cercada pela guerra civil. E isso também é suicida contra um clube que tem milhões para gastar em gente goleadora - há uma razão para que os futebolistas mais caros sejam os que marcam mais; são os golos que decidem os jogos.

Nas duas vezes em que o Shakthar marcou golos, o Braga estava por cima do jogo, Na única vez em que o Braga marcou, o Shakthar estava por cima, num período em que os minhotos estavam a perder o gás e o discernimento, agarrados ao cansaço e presos à frustração.

Não é um contrasenso, é a realidade.

O golo de Wilson Eduardo abre uma portinhola pequena aos bracarenses, é verdade, mas convém não esquecer que estes estão obrigados a fazer dois golos na Ucrânia, perante uma equipa que é cínica e batida e eifcaz (103 golos em 40 jogos), e que é treinada pelo mesmo tipo (Mircea Lucescu) desde 2004. Eles não têm segredos uns para os outros, tal como jogar na Europa não tem segredos para eles.

ESTELA SILVA / Lusa