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Buscas na sede da UEFA em Nyon

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LAURENT GILLIERON/ EPA

As autoridades suíças chegaram às instalações da UEFA com um mandado e pediram que fossem mostrados os contratos celebrados com a Cross Trading/Teleamazonas. No seguimento da fuga de informação do Panama Papers, o nome de Gianni Infantino, antigo dirigente da UEFA e atual presidente da FIFA, surge num negócio de cedência direitos televisivos com dois empresários acusados de corrupção

A polícia federal suíça levou a cabo esta quarta-feira buscas na sede da UEFA em Nyon. As autoridades pediram para ver documentos assinados pelo atual presidente da FIFA Gianni Infantino, que em tempos foi alto dirigente da UEFA. A operação surge no seguimento da fuga de informação do Panama Papers.

“A UEFA pode confirmar que hoje [quarta-feira] recebeu uma visita da Polícia Federal suíça, com um mandado e pediu para ver os contratos entre a UEFA e a Cross Trading/Teleamazonas. Naturalmente, a UEFA disponibilizou todos os documentos relevantes em sua posse e vai cooperar totalmente”, lê-se no comunicado, citado pelo jornal britânico “The Guardian”.

Segundo a mesma publicação, Infantino assinou, em 2006, um contrato de cedência de direitos televisivos com dois empresários envolvidos em casos de corrupção no futebol, Hugo Jinkis e Mariano Jinkis. A Cross Trading, detida pelos Jinkins e que está registada num paraíso fiscal do Pacífico Sul, comprou os direitos de transmissão para a Liga dos Campeões, Taça UEFA e Super Taça por 111 mil dólares e, imediatamente, vendeu-os ao canal televisivo equatoriano, Teleamazonas, por pouco mais de 311 mil dólares.

Os documentos da Mossack Fonseca detalham estas compras e vendas. Atualmente, os dois empresários estão em prisão domiciliária na Argentina, uma vez que são acusados de suborno na sequência da investigação iniciada pelos Estados Unidos da América à FIFA.

Numa primeira fase, a UEFA negou ter feito qualquer negócio. Depois, admitiu que realmente foi celebrado um contrato com a Cross Trading, que aconteceu na sequência de um concurso público conduzido por uma terceira empresa, a Team Marketing. Aqui, os direitos televisivos foram vendidos à licitação mais alta.

“Nem a Team ou a UEFA têm razões para acreditar que existe algo de suspeito ou impróprio na parceria entre a Cross Trading e a Teleamazonas”, disse a organização que tutela o futebol europeu. “É um negócio deles, não nosso”, acrescentou.