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Uma derrota é sempre uma derrota, certo? Sim, mas...

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MICHAEL DALDER / REUTERS

Por mais estranho que pareça, Guardiola talvez tenha razão e a defesa do Benfica seja o melhor da equipa da Luz. Perder por 1-0 em Munique não fecha a porta da eliminatória

Pep Guardiola disse que o melhor do Benfica era a sua defesa e torcemos todos o nariz. Das três, uma: Guardiola estava a ser simpático, coisa que ele parece ser, cínico, coisa que Ibrahimovic garante que ele é, ou então estava a ver o que ninguém vê, coisa que já aconteceu antes.

Por exemplo, quando tirou Lionel Messi da linha e o pôs a avançado centro, o que ainda hoje explica a azia de Ibrahimovic. Por exemplo, quando confessou que Lahm é o futebolista mais inteligente que alguma vez treinou- e ele já treinara génios da bola, como Xavi e Iniesta. E, por exemplo, muitos exemplos, aliás, quando muda a meio de um jogo, como se o futebol fosse andebol e tudo fosse permitido em nome de uma ideia. Os laterais e os extremos que jogam por dentro, os pontas-de-lança que vão para a linha, os trincos que avançam e os médios que descem, etcetera, etcetera.

ANDREAS GEBERT / EPA

Como Rui Vitória apontou antes do Bayern-Benfica, no meio daqueles chavões e de algumas banalidades (a garra, o vamos entrar com tudo, o para a frente é que é o caminho) que fazem parte da bola, o futebol de Guardiola não é tático, mas conceptual. Um conceito difícil de definir, é verdade, porque não se sabe o que é o quê e quem é quem no meio daquele caos oganizado, mas ainda assim um conceito: ter a bola. Sempre.

Por defeito, quem joga contra o Bayern perde a bola.Por defeito, quem joga contra o Bayern sabe que tem de correr mais. Por defeito e feitio, o Bayern era favorito a ganhar o jogo contra o Benfica - nos últimos 10 encontros em casa para a Champions, os bávaros tinham marcado 35 golos e vencido todos.

Logicamente, o Bayern ganhou.E ganhou porque foi melhor, porque tem melhores jogadores, porque teve melhores ocasiões. Mas não ganhou por muito e isso deixa o Benfica com a eliminatória em aberto para a segunda mão dos quartos de final da Champions. Bom, mais ou menos, porque na Luz é o Benfica que terá atacar mais e defender menos.

SVEN HOPPE / EPA

Ficou 1-0, um resultado escrito às custas de Eliseu, que falhou logo no arranque do jogo, ainda estavam os jogadores do Benfica a apalpar terreno. Golo de Vidal aos dois minutos e os tremeliques normais em quem vê um resultado fugir da mão tão cedo.

Só que, as bocadinhos, o Benfica foi acertando as marcações, pondo o pé no sítio certo, mantendo a cabeça fria enquanto o Bayern fazia o seu jogo da rabia do costume: trocas de bola curtinhas misturadas com longas variações de flanco.

Os encarnados sujeitaram-se e aguentaram-se, procuraram as costas dos centrais, o offshore para qualquer avançado que se preze, e procuraram os seus lances de perigo. O primeiro (e o melhor) apareceu ao minuto 52, quando Jonas ficou na cara de Neuer e rematou ao corpo.

E foi aí que algo de inesperado aconteceu: o Benfica subiu e ganhou confiança e o jogo pareceu mais equilibrado do que a estatística fazia supor. É aqui que entra Rui Vitória, um tipo que, por jogar com os mesmos contra diferentes rivais (dois extremos, dois médios, dois avançados), revela coragem e confiança. E a coragem e a confiança são como o medo e desconfiança - vírus que, alimentados, crescem e espalham-se. É uma questão de escolhas.

E Rui Vitória, por força de lesões, foi escolhendo outros enquanto as opções encolhiam. Hoje, Jardel, Lindelof e Ederson (sobretudo este) deram conta do recado; há meses, um era o patinho feio de Luisão, outro jogava na segunda divisão, o terceiro andava pelo banco de suplentes.

MICHAEL DALDER / EPA