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“As Donas da Bola”

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Há mulheres que ainda provocam espanto quando dizem que jogam futebol ou que são futebolistas profissionais em equipas no estrangeiro

Ana Margarida Póvoa

Há portugueses que não sabem que há quase 6 mil mulheres integradas em equipas de futebol de 11, de 5, futsal ou de praia e que participam em campeonatos distritais e nacionais. Muitas pessoas, ainda pensam que o futebol é "coisa de homens". Nada mais errado.

Apesar de ainda ser considerada uma atividade amadora, há clubes, em todo o país que apostaram no futebol feminino.
E as mulheres entregaram-se de corpo e alma ao futebol, muitas vezes às suas próprias custas apenas pelo amor à camisola que vestem e à equipa.

Aos 36 anos, Edite Fernandes sabe que tem os dias contados como jogadora mas acredita que no futuro, estará sempre ligada ao futebol.

É capitã da Seleção Nacional Feminina e no currículo conta mais internacionalizações que Luís Figo.

Foi jogadora do Boavista e foi a primeira futebolista portuguesa a jogar, como profissional em equipas estrangeiras.

Depois dela, muitas outras jogadoras portuguesas seguiram o mesmo caminho: viver, jogar e receber um salário, como futebolistas profissionais, um estatuto impossível de ter em Portugal.

Edite

Sem deixar de sorrir, Edite coloca os olhos no horizonte e recua aos cinco anos numa rua do Porto quando a mãe lhe ía comprar uns sapatos.

A menina chorou, fez birra porque o que mais queria eram um par de chuteiras que estavam numa das prateleiras da sapataria.

Ainda levou umas palmadas e foi para casa sem as chuteiras. Só calçou umas a sério, aos 17 anos quando foi jogar para o Boavista.

Quando entrou no Estádio Nacional ao lado de Carolina, para a reportagem da SIC, as duas jogadoras da Seleção falavam entre si da sensação de pisar e do cheiro da relva.

Confessam que abraçaram o futebol como uma paixão sem limites.

Tal como Ana Borges que aos 25 anos alinha como avançada no Chelsea.

Na aldeia de Vinhó, poucos poderiam adivinhar que a menina tímida, mas determinada, iria jogar futebol com a camisola das quinas e em vários relvados europeus.

Mas só mesmo quem não quisesse ver, pois Ana era sempre a primeira a ser escolhida pelos rapazes da aldeia para as equipas, mesmo que isso fizesse com que o irmão se zangasse e lhe tivesse dado algumas tareias.

Hoje, está orgulhoso do percurso futebolístico da irmã, tanto no estrangeiro como na Seleção Nacional, onde mais de metade das jogadoras tem uma carreira como profissional, fora de Portugal.

Quem fica por cá, sabe que é impossível ganhar um salário como futebolista, numa atividade que ainda é considerada amadora.

Os clubes apoiam com o que podem, como deslocações e algumas refeições, em dias de jogos.

Não perca a Grande Reportagem “A Menina joga”, esta quinta-feira, dia 31 de março, no Jornal da Noite da SIC.

A reportagem está disponível no site da SIC Notícias, Expresso e Visão com conteúdos interativos.