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GP da Austrália: Duelo Mercedes-Ferrari

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As equipas da Williams e Red Bull estão à espreita de uma oportunidade para surpreenderem os favoritos

O “Mundial” de F1 arranca, este fim-de-semana, na Austrália e tudo aponta para que se assista a um duelo entre a Mercedes e a Ferrari, com Williams e Red Bull à espreita de uma oportunidade para surpreenderem os favoritos.

Por aquilo que se viu ao longo das duas sessões de testes, que tiveram lugar em Barcelona, a Ferrari assume o papel de principal “out sider” da favorita Mercedes, embora a marca alemã tenha dado a entender que “escondeu o jogo”, já que nenhum dos seus pilotos usou pneus supermacios, uma novidade da temporada, para procurar alcançar o melhor tempo, mas ficou a certeza de que a fiabilidade está assegurada, dado o elevado número de voltas efetuadas pelos dois pilotos.

Na Mercedes, o inglês Lewis Hamilton volta a ser o “homem a bater”, com o alemão Nico Rosberg a ter a derradeira hipótese de derrotar o seu mais direto opositor, pois se isso não suceder poderá sair da equipa em 2017.

Na Ferrari, que apresenta um carro novo, existe a esperança de lutar pelos títulos de forma mais consistente do que o ano passado, com o SF16-H a dar indicações muito positivas em Barcelona, onde o alemão Sebastian Vettel e o finlandês Kimi Raikkonen, que parece mais adaptado ao carro deste ano do que ao do ano passado, estiveram de forma consistente no topo da tabela de tempos.

A Williams aposta em manter a terceira posição, ocupada em 2014 e 2015, na hierarquia da F1 e o facto de passar a utilizar motores Mercedes pode ser um importante argumento para o conseguir, tanto mais que manteve a sua estrutura inalterada ao entregar o FW38 ao brasileiro Felipe Massa e ao finlandês Valtteri Bottas.

A Red Bull é uma das grandes incógnitas da temporada, depois a “travessia do deserto” efetuada o ano passado. O facto da Renault ter tido dificuldades em construir um motor hibrido tão eficaz como os V8 produzidos em anos anteriores fez com que a relação entre as duas partes se tivesse deteriorado ao ponto da equipa ter procurado encontrar outro motor para 2016. Contudo, quer Mercedes, quer Ferrari apenas disponibilizavam motores de 2015, pelo que teve de manter os motores Renault, mas, com o apoio da TAG-Heuer, recorreu aos serviços de Mario Illien para os tornar mais competitivos.

Veremos os resultados, mas o australiano Daniel Ricciardo e o russo Daniil Kvyat vão ter que “dar ao pedal” para não serem substituídos por Max Verstappen, em 2017. Entretanto, e como consequência do mau desempenho dos motores Renault, os responsáveis da Red Bull já ameaçaram com o abandono da F1, no final do ano, caso na próxima temporada não disponham de um motor competitivo.

A evolução da Force India tem sido indiscutível e a equipa aposta em chegar ao pódio dos construtores, para o que conta com o novo VJM09, que parece ser um bom argumento, ao mesmo tempo que conserva os motores Mercedes e a dupla de pilotos, o mexicano Sergio Perez e o alemão Nico Hulkeberg, que o ano passado a levou ao quinto lugar entre as equipas.

O holandês Max Verstappen e o espanhol Carlos Sainz foram as revelações de 2015 e entram em 2016 dispostos a confirmar as boas indicações dadas o ano passado, com o holandês a querer confirmar as boas indicações dadas, com o objetivo de, em 2017, passar para a Red Bull, como está estabelecido, pois caso contrário poderá escolher o seu destino (Ferrari e Mercedes estão atentas), o que aumenta a pressão sobre Daniel Ricciardo e Daniil Kvyat. O facto do STR11 passar a utilizar motores Ferrari pode ajudá-los a alcançar os seus objetivos.

Problemas financeiros afetam a Sauber que só nos segundos testes mostrou o C35, carro com que o sueco Marcus Ericsson e o brasileiro Felipe Nasr vão procurar fugir das últimas posições, o que parece difícil de poder acontecer.

Para o inglês Jenson Button e o espanhol Fernando Alonso este é um ano repleto de dúvidas. Depois do descalabro do ano anterior é difícil fazer pior, tanto mais que a Honda parece ter conseguido resolver alguns dos problemas de motor de que os pilotos se queixavam. A chegada de Jost Capito, que trocou a VW, no Campeonato do Mundo de Ralis, pela McLaren, na F1, pode ajudar na gestão dos recursos, mas não está posta de parte a possibilidade de, se o MP4-31 se “arrastar” pelas pistas, o espanhol “bater com a porta”.

A Haas é a novidade da temporada e a equipa norte-americana pode ser uma das surpresas do ano. Para isso conta com o francês Romain Grosjean, que deixou a Renault por não acreditar no regresso da marca francesa, e com o mexicano Esteban Gutierrez, que regressa ao “Mundial” depois de, no ano passado ter sido terceiro piloto da Ferrari, marca que apoia fortemente a equipa norte-americana.

A Manor conseguiu sobreviver, depois de ter sido posta em causa a sua continuidade na F1 e encara a época de 2 016 com otimismo, como consequência de contar com motores Mercedes, transmissões Williams e de ter recrutado elementos na McLaren e na Ferrari. Contra o facto de ter dois pilotos estreantes, o indonésio Rio Haryanto, primeiro piloto do seu país a competir na F1, e o alemão Pascal Wehrlein, campeão do DTM em 2 015 e protegido da Mercedes.

A Renault está de volta à F1 com um projeto total, deixando de ser mera fornecedora de motores, como sucedeu nos últimos anos. O facto dos créditos dos títulos conquistados pela Red Bull/Renault terem sido atribuídos à equipa, com ignorância quase total do motor e a má relação verificada o ano passado, quando os propulsores franceses estiveram longe de serem tão eficazes quanto os da Mercedes e da Ferrari, levou os responsáveis da marca a considerarem uma de duas opções: abandono da F1 ou participação oficial. A segunda foi a opção escolhida e o dinamarquês Kevin Magnussen, que regressa à F1, em substituição do venezuelano Pastor Maldonado, por a PDVSA se ter esquecido de pagar o que estava estipulado, e o inglês Jolyon Palmer, que faz a sua estreia na F1, são os pilotos. Como curiosidade referência ao facto de ambos serem filhos de antigos pilotos de F1: Mats Magnussen e Jonathan Palmer.

Referência, ainda, ao facto de, nos próximos três anos (2016, 2017 e 2018) a F1 poder ser vista, em Portugal, no Eurosport, que acompanhará, em direto, os treinos livres, a qualificação e a corrida, com os comentários a estarem a cargo de João Carlos Costa, Pedro Nascimento, António Félix da Costa, Tiago Monteiro e Filipe Albuquerque.