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Jonas é um Nico d'obra

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José Sena Goulão/ Lusa

Duas assistências do argentino puseram o Benfica em vantagem no marcador (2-0, Jardel e Jonas). Depois, foi gerir o andamento das coisas e marcar outros dois (Jonas e Mitroglou). O jogo acabou 4-1 (Nathan), frente ao Tondela. Benfica de volta à liderança do campeonato

Não há muitas curandices milagrosas e cem por cento eficazes para a ressaca, mas poucas delas funcionarão tão bem quanto a que se segue. Contexto: o Benfica teve dois jogos duros pela frente, ganhou ambos, ao Sporting e ao Zenit, em território alheio, subiu ao primeiro lugar do campeonato e aos oito primeiros lugares da Europa. Depois disto, o médico e o fisiatra recomendariam algo leve, para recompor músculos amassados e arrumar as cabeças aluadas por tudo o que se passara antes. E é aqui que entra o Tondela, a equipa mais distante (48 pontos de diferença) e frágil das que o calendário podia oferecer. Ainda por cima, o Tondela, que já tinha tudo contra ele e nada a favor, quis jogar de olhos nos olhos, sem antijogo ou táticas manhosas, e isso foi perigoso, talvez suicida, porque se expôs mais vezes ao um contra um do que as que a saúde aconselhava.

E, quando isso sucede, os que são melhores tendem a ultrapassar os que são piores: num canto, Gaitán pôs a bola na cabeça de Jardel, e aconteceu o 1-0; numa jogada na linha, Gaitán cruzou a bola para o pé esquerdo de Jonas, e aconteceu 2-0. Já vão dez assistências de Nico.

Não foi preciso muito Benfica; aliás, nem houve muito Benfica na primeira-parte. Fejsa e Talisca não são Samaris e Renato, nem Fejsa e Renato – ou melhor, Talisca não é Renato. Talisca só olha em frente, tem a visão periférica tapada pelo apelo à baliza, e quando arrisca os passes laterais, falha mais do que acerta e, pior do que isso, não tenta emendar o erro. Por tudo isso, houve um fartote de passes cortados que puseram o Benfica de sobreaviso, a ver o que fazia Nathan Júnior (tinha 9 golos na Liga). Mas nenhuma das correrias deu em perigo concreto para a baliza de Ederson e o Benfica saiu para o intervalo a vencer por 2-0, sustentado, sobretudo, no talento individual dos seus futebolistas.

Na segunda-parte, houve coisas que mudaram, a primeira das quais, a saída de Talisca e a entrada de Salvio, que pôs Pizzi no lugar do baiano a orientar as operações. E então, aquilo que estava perro (a ligação meio-campo ataque), soltou-se e o jogo do Benfica fluiu, mesmo com a saída de Gaitán (lesionado). Mas houve coisas que continuaram iguais, outra das quais, o Tondela de Petit, que também é o "pitbull", que nunca rebolou nem se fez de morto, e quis procurar a sorte dele. É que aqui e ali, o Benfica dava abébias na defesa e podia ser que num desses achaques a vida lhes pudesse sorrir . Só que as abébias que o Benfica dava a defender, não as dava a atacar: Jonas fez o 3-0 (28º golo da época), e Mitroglou o 4-0. O resultado estava feito e o marcador encerrado, até que, ao minuto 92', Nathan Júnior marcou o 10º da sua conta pessoal, quase 50% dos golos marcados da sua equipa. O Tondela poderá descer, mas Nathan irá subir. E, lá em cima, está o Benfica, outra vez com dois pontos de vantagem sobre o Sporting.