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Sharapova nega ter sido avisada cinco vezes sobre meldonium

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ETIENNE LAURENT/EPA

A antiga líder do ranking mundial admitiu, no entanto, que devia “ter prestado mais atenção” às mensagem da Federação Internacional de Ténis e da Agência Mundial Antidopagem

Helena Bento

Jornalista

A tenista russa Maria Sharapova negou ter sido avisada cinco vezes que o meldonium, uma substância presente no medicamento que a tenista tomava há dez anos, tinha entrado na lista de substâncias proibidas da Agência Mundial Antidopagem (AMA).

“Um relatório diz que eu fui avisada cinco vezes sobre a iminente proibição da substância. Isso não é verdade e nunca aconteceu”, escreveu Sharapova numa mensagem publicada na sexta-feira na sua página oficial do Facebook. A tenista acusou ainda “alguns meios de comunicação de distorcer, exagerar ou serem incapazes” de informar sobre o que realmente aconteceu, e garantiu estar “decidida” a defender-se.

A antiga líder do ranking mundial admitiu, no entanto, que devia “ter prestado mais atenção” às mensagem da Federação Internacional de Ténis (ITF) e da AMA, reconhecendo também que no final do ano passado recebeu um email da agência mundial com o título “Notícias para jogadores” e a indicação de um aviso no corpo de texto, que não chegou a saber qual era.

“Para chegar a esse aviso era necessário abrir outro email que aparentemente não tinha nada a ver com antidoping, clicar num site, introduzir uma password, introduzir um nome de utilizador, procurar, clicar, procurar, clicar, procurar, clicar, fazer scroll e, finalmente, ler. Talvez alguns meios de comunicação possam chamar a isto um aviso, mas eu acho que para a maioria das pessoas seria muito difícil chegar lá.”

Juntamente com o texto, a tenista russa publicou no Facebook uma fotografia de um documento que refere a introdução de meldonium na lista de substâncias proibidas pela Agência Mundial Antidopagem. Esse documento ter-lhe-á, reconheceu, chegado às mãos, mas a linguagem usada acabou por desencorajar a leitura. “Este documento tinha milhares de palavras, muitas delas técnicas e desconhecidas para as pessoas normais. Deveria ter tomado mais atenção, mas qualquer pessoa que tenha acesso a esse documento entende o que estou a dizer. Insisto, isto não são desculpas, mas é errado dizer que fui alertada cinco vezes”, referiu.

Na passada segunda-feira, antecipando um comunicado oficial da ITF ou da AMA, Maria Sharapova veio a público confessar que fora submetida a um teste de controlo antidoping e que o resultado dera positivo. “Tenho de assumir totalmente a responsalidade. É o meu corpo e sou responsável pelo que tomo”, justificou na altura.

A substância em causa é o meldonium, usado para tratar a má circulação do sangue, especialmente em casos de angina ou problemas de coração. Os atletas estão proibidos de o usar precisamente porque acelera a circulação sanguínea e aumenta a resistência. Produzido na Letónia, o meldonium foi inicialmente usado para acelerar o crescimento dos animais. Durante os anos de 1970, começou a ganhar popularidade na antiga União Soviética, onde era utilizado no combate a doenças cardíacas. É precisamente nessa área que a sua utilização é hoje mais frequente.

Maria Sharapova consumia esta substância há dez anos para, segundo ela, controlar uma história familiar de diabetes e deficiências de magnésio, apesar de a sua comercialização não ser permitida nem na Europa Ocidental nem nos Estados Unidos.