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O Braga topou tudo, menos Topal

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TOLGA BOZOGLU / EPA

Os minhotos perderam (0-1) contra o Fenerbahçe na primeira mão dos oitavos de final da Liga Europa. O golo turco apareceu após um erro a meio-campo

Um dia, achou-se por bem aplicar a palavra "rotatividade" ao futebol. A culpa daquilo, disse-se então, era da Europa e das competições europeias, que punham mais jogos nas pernas dos jogadores, coitados, impossibilitados de descansar entre encontros. "O Benfica não tem rabo para duas cadeiras", foi a frase que ficou para a história, e é de Bella Gutmann, no Benfica.

E a rotatividade fez escola e tornou-se lei em todo o lado onde as equipas tivessem mais em mãos do que os campeonatos e as taças caseirinhas. Só que como o dinheiro não é igual em todo o lado no mundo, e a rotatividade implica ter dois jogadores iguais em qualquer lado do campo, achou-se por bem aplicar a palavra "escolha" ao futebol. E, então, começou a escolher-se o X em vez do Y em todo o lado em que o dinheiro fosse curto, as opções fossem curtas, e as vistas também. O Braga não é um desses lugares.

O Braga está no lugar que é dele no campeonato (4º lugar), está nas meias-finais da Taça da Liga, na final da Taça de Portugal, e está a disputar os oitavos de final da Liga Europa. O Braga compete, é competente em tudo o que mexe. E isso é verdade, sempre verdade, mesmo que tenha perdido esta quinta-feira em Istambul, com o Fenerbahçe de Vítor Pereira.

Porque o que Paulo Fonseca faz é mostrar que há algumas exceções simpáticas que contrariam as regras que outros dizem. O Braga roda os seus "11" porque quer e porque pode, porque construiu um plantel com cabeça, tronco e membros. Em Istambul, por exemplo, Wilson Eduardo jogou ao lado de Hassan, e Josué alinhou a extremo-direito, com Rafa na esquerda do ataque. Foram dois avançados, dois alas-interiores, e dois médios de contenção - um esquema virado para a frente, quando a prudência aconselhava o contrário. É que, do outro lado, estava, por exemplo, van Persie.

Mas, lá está, o Braga de Fonseca parece não olhar ao nome dos adversários, preferindo jogar em nome próprio. E quase sempre ao ataque.

OSMAN ORSAL / Reuters

Na primeira parte, o jogo foi dividido, sobretudo controlado, de parte a parte, sem muitas oportunidades, coisa que enchia as medidas a Fonseca, que até teve de pôr Boly em campo para substituir o lesionado Ricardo Ferreira. Matheus fez duas defesas, pouco complicadas, e a bola ficou 55% do tempo nos pés dos turcos, 45% nos pés dos minhotos. Contra uma equipa de Vítor Pereira, que vive e respira e fala de posse como quem fala do Santo Graal.

Depois do intervalo, a tendência manteve-se: o Braga a trocar a bola, a sair da zona de pressão com segurança; o Fenerbahçe a fazer o mesmo, mas com mais pressa. Van Persie apareceu com menos ar de frete e rematou duas vezes, mas Josué disparou para uma boa defesa de Demirel. E quando tudo indicava que era com um empate que o Braga sairia de Istambul, Luiz Carlos perdeu uma bola estúpida, no centro do terreno, e Topal foi por ali fora até marcar o golo. Vítor Pereira fez o sinal da cruz e o ato de contrição - os deuses estiveram com ele na Turquia.

Mas a história não acaba aqui. Ficou no ar a sensação de que o Braga tem futebol para ultrapassar o Fenerbahçe. E contrariar todas as teorias do futebolês. Outra vez.