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Benfica: a equipa pequena está entre as oito maiores da Europa

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KIRILL KUDRYAVTSEV/Getty

O Benfica chegou aos quartos de final da Liga dos Campeões ao eliminar o Zenit de São Petersburgo, na Rússia. 2-1, com golos de Gaitán e Talisca, e um de Hulk

Porque havia lesionados (Luisão e Lisandro) e porque havia castigados (André Almeida e Jardel), Rui Vitória tinha de inventar um bocadinho para pôr onze tipos no sítio certo, em São Petersburgo. E o treinador lá inventou, mas não muito, sobretudo não tanto quanto a UEFA nos quis fazer acreditar – é que, no oráculo que precedeu o jogo, Renato Sanches e Samaris estavam nas alas, Pizzi e Gaitán apareciam no meio.

Tudo trocado: Renato e Fejsa foram médios, Samaris começou a central, e Nelson Semedo entrou para defesa direito. De resto, tudo na mesma: dois tipos no meio-campo, dois extremos, e dois avançados. Nem menos um avançado, nem mais um médio.

Ora, isto quer dizer que Rui Vitória acha que o Benfica está naquele ponto de rebuçado a que no futebol se chama "moral". Ou melhor, estar com moral. E estar com moral é estar com confiança, e estar com confiança é acreditar que se é bom - por vezes, acreditar que se é melhor do que na realidade se é.

Isso tem dois lados, o bom, quando corre bem porque a moral dá-te asas, e o mau, quando corre mal porque há sempre alguém que voa acima de ti e a queda é maior. É de Lapalisse, básico até, mas é o que é.

ANATOLY MALTSEV / Reuters

O Benfica entrou com moral em alta, esteve melhor nos primeiros vinte minutos, fez um ou dois remates, não se fechou lá atrás, e manteve a defesa e o meio-campo cosidos um ao outro, como dois panos a fazerem uma manta com alguns remendos, mas poucos buracos.

Sem a passadeira estendida para o contra-ataque, o Zenit teve de baixar o rapaz que mais cria (Danny), para ver se ele lançava o jogo com bolas longas nas costas dos encarnados. A coisa chegou a resultar, num lance de futebol de praia, de cabeça em cabeça, até a bola bater nas mãos de Ederson. Acabou-se a primeira parte e o Benfica foi para o intervalo com a vantagem do encontro (1-0, Jonas) da Luz na mão. Tinha a eliminatória mais ou menos controlada, porque estava a dividir o jogo e a disputar os metros no relvado. Mas tudo iria mudar.

ANATOLY MALTSEV / Reuters

Nos ombros dos gigantes

Na segunda parte, o Benfica foi o Benfica de Alvalade pós-golo-de-Mitroglou. Defendeu. Defendeu. E defendeu. Tentou baixar o ritmo, embalar o adversário, a ver se o adormecia para o despertar num ataque qualquer. E fiou-se que o Zenit, sem poder contra-atacar, também não podia entrar por ali dentro em tabelinhas ou trocas de bola. Ou seja, entregou a bola e entregou-se ao tempo. E sofreu um golo, de Hulk (7º do brasileiro ao Benfica em 16 jogos), após um cruzamento de Zhirkov.

Depois disto, havia duas hipóteses: esperar pelo prolongamento ou atacar. O Zenit escolheu a primeira, o Benfica a segunda. Foi atrás da sua sorte e obteve-a na cabeça de Gaitán, que pôs a bola lá dentro após a bola rematada por Jiménez ter batido no ferro. E teve-a novamente, com Talisca, quando o Zenit estava quebrado e partido e resignado.

MAXIM ZMEYEV / Reuters

Contas feitas, o Benfica de Rui Vitória chega aos quartos de final da Liga dos Campeões (com Jorge Jesus, fê-lo apenas uma vez, em 2012). Conversões feitas, o Benfica soma €28,5 milhões e isso não são trocos. E conversas trocadas, o Benfica, que JJ disse ser pequeno, fez-se grande e está entre as oito maiores da Europa.

É o que diz a Champions, não somos nós.

KIRILL KUDRYAVTSEV/Getty