Siga-nos

Perfil

Expresso

Desporto

Sporting-Benfica. Uma lição de futebol para totós

  • 333

Mitroglou marcou o primeiro golo do dérbi

FRANCISCO LEONG/Getty

O Benfica foi a Alvalade surpreender: venceu por 1-0 e roubou a liderança da Liga ao Sporting

Charlie Stillitano. Sabe quem é? Se não sabe, vai ficar a saber, ainda que o futebol vivesse melhor sem o conhecer. Stillitano é um empresário norte-americano que detém a empresa Relevent Sports, que organiza o International Champions Cup, torneio de pré-época habitualmente disputado nos EUA (sim, aquele em que o Benfica esteve).

Ora Stillitano esteve esta semana reunido com os maiores clubes da Liga inglesa - Manchester United, Chelsea, Manchester City, Arsenal e Liverpool - e revelou que a Associação de Clubes Europeus e a própria UEFA estavam interessados em trabalhar com a Relevent Sports. Porquê? Porque Stillitano pensa e diz coisas assim: “Vamos olhar para o pote de dinheiro criado pelo futebol em todo o mundo. Quem é mais importante, o Manchester United ou o Leicester?”

Para Stillitano, o facto de o “pequeno” Leicester estar a liderar a Liga inglesa, contra todas as previsões, é indiferente - talvez até incómodo: o empresário quer que, no futuro, entrem na Liga dos Campeões sempre as mesmas equipas. Quais? As mais ricas, claro.

Vem isto a propósito do dérbi desta noite. Antes do jogo, pouca coisa estava a favor do Benfica: o Sporting era líder com mais um ponto, o Sporting já tinha derrotado os rivais esta época por três vezes e o Benfica (e Rui Vitória) ainda não tinha vencido nenhum dos cinco clássicos que disputou. Como tínhamos diagnosticado durante a semana AQUI no Expresso, com a ajuda dos números: o Sporting era mais forte com os fortes e mais fraco com os fracos; e o Benfica era mais fraco com os fortes e mais forte com os fracos.

FRANCISCO LEONG

Só que o futebol (ainda) tem esta beleza que Stillitano aparentemente reprova: por muito que se treine, prepare e analise, é imprevisível. Há vezes em que é menos imprevisível do que outras, sim, mas são as surpresas que fazem dele uma modalidade apaixonante.

E, esta noite, em Alvalade, não houve adepto que não ficasse surpreendido. O Sporting era favorito, mas foi o Benfica - com Ederson na baliza, por lesão de Júlio César - que entrou melhor e foi empurrando o rival até à área.

Beneficiando da capacidade de Mitroglou para baixar e segurar bolas, e da mobilidade de Jonas, o Benfica calou um estádio muito ruidoso no apoio ao Sporting, aos 20 minutos. Samaris rematou de forma trapalhona, mas a bola acabou nos pés de Mitroglou, que beneficiou de um desequilíbrio de William para ficar isolado perante Rui Patrício e desviar para o 1-0.

O Sporting, até então pouco ativo e procurando essencialmente colocar bolas longas em Slimani, começou a pegar mais no jogo, mas sempre de forma pouco eficiente. João Mário, Ruiz e César iam trocando de corredores para ajudar à confusão e só quando João Mário (sempre o mais lúcido) estabilizou na direita - por onde o Sporting tentou sempre massacrar Eliseu, ainda que Gaitán tenha sempre ajudado o colega defensivamente - é que a equipa melhorou e assustou o Benfica, com um remate de Jefferson à trave (o primeiro do jogo).

Com Pizzi bem pelo meio e a equipa sempre compacta em termos de largura e profundidade - o espaço entre a linha média e a linha defensiva foi quase sempre escasso -, o Benfica foi aguentando as investidas do Sporting (com destaque para Lindelof), mas não se pode gabar apenas da (pouco habitual) competência defensiva.

É que, logo no início da 2º parte, o Benfica já encarava o jogo como se estivesse nos últimos minutos, oferecendo a bola ao Sporting e baixando as linhas. A equipa de Jorge Jesus agradeceu e esteve várias vezes perto do empate: Jefferson e Ruiz deixaram Ederson brilhar; e, depois, Ruiz falhou aquilo que parecia impossível falhar, com a baliza completamente escancarada.

A partir daí, houve pouco futebol: a equipa de Vitória defendeu com unhas e dentes e a equipa de Jesus, já com Gelson e Schellotto, por troca com Adrien e João Pereira, não conseguiu muito mais. A acabar, Adrien foi expulso no banco por reclamar com o árbitro, devido a uma entrada duríssima de Renato Sanches sobre Ruiz, que podia ter sido admoestada com um vermelho direto.

Com nove jornadas para o final da Liga, o surpreendente Benfica fica líder, com 61 pontos, e o Sporting passa para 2º classificado, com 59 pontos (o FC Porto tem 55 e joga domingo em Braga, às 20h30). E isto, caro Charlie Stillitano, é o futebol. Imprevisível.