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Está a imaginar Benfica, FC Porto e Sporting com equipas femininas? A FPF está

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DÁ CÁ MAIS 242. O número de jogadoras de futebol federadas em Portugal aumentou no último ano, apesar de ainda ser inferior à média europeia

FILIPE FARINHA/LUSA

A Federação Portuguesa de Futebol enviou esta semana aos 18 clubes da Liga NOS convites para abrirem equipas femininas de futebol na próxima época. Benfica, FC Porto e Sporting estão a analisar; Sporting de Braga já aceitou, diz o presidente

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Sofia Miguel Rosa

Sofia Miguel Rosa

Jornalista infográfica

Joseph Blatter. Ainda se lembra dele? Está suspenso do futebol desde o ano passado, por corrupção, mas no mundo do futebol feminino já tinha sido riscado há muito. Nomeadamente em 2004, quando se saiu com uma pérola que arrepiou até as mulheres (e homens) menos feministas: “As jogadoras de futebol deviam jogar com equipamentos mais femininos, como no voleibol. Podiam, por exemplo, ter calções curtos. As jogadoras são bonitas, desculpem-me que vos diga.”

Doze anos depois, Blatter já foi desculpado, porque o desenvolvimento do futebol feminino tem sido constante e não meteu equipamentos mais justos à mistura: o número de jogadoras na Europa cresceu cinco vezes desde 1985 e está atualmente em 1.208.558, cerca de 0,3% da população europeia do sexo feminino. Alemanha, Inglaterra, Suécia, Noruega e Dinamarca são alguns dos países que, para além de mais de 60 mil federadas, têm campeonatos profissionais femininos.

Em Portugal, o profissionalismo ainda é uma miragem, mas o número de federadas está a crescer (há pela primeira vez mais de 6 mil mulheres em Portugal a jogar - veja as infografias) e a aposta da Federação Portuguesa de Futebol começou esta semana a ficar bem mais séria: foram enviadas cartas aos 18 clubes da Liga NOS (masculina, bem entendido) a convidá-los a criar equipas de futebol feminino na época 2016/17.

É que, na próxima época, haverá um novo campeonato da modalidade, que passará a ser, em termos oficiais, Liga de Futebol Feminino Allianz. A nova Liga - que a FPF espera que dê um novo impulso à modalidade, tal como aconteceu há uns anos com o crescimento do futsal masculino - será composta por 14 equipas: oito das que se mantêm esta época (o campeonato atual tem dez equipas: Clube Futebol Benfica, Valadares Gaia, Albergaria, A-dos-Francos, Ouriense, Boavista, Viseu 2001, Cadima, Vilaverdense e Fundação Laura Santos), duas que sobem da segunda divisão e quatro das tais 18 que foram convidadas.

As quatro novas equipas serão escolhidas com base num ranking de performance desportiva nas últimas cinco épocas (no campeonato masculino), pelo que não é difícil perceber quais são as quatro principais candidatas: Benfica, FC Porto, Sporting e Sporting de Braga. Só em caso de recusa de uma destas quatro equipas é que entram em cena as outras 14 convidadas - todas têm até ao final do mês de março para responder à Federação - e há mais interessadas na entrada, como o Belenenses, o Rio Ave e o Estoril.

Oficialmente, Benfica, FC Porto e Sporting ainda não têm qualquer decisão tomada, mas o Expresso sabe que tanto o Benfica como o Sporting estão muito interessados no projeto, tendo até feito contactos exploratórios com treinadores e jogadoras (em Portugal e fora de Portugal, uma vez que há mais de 30 portuguesas a jogar no estrangeiro) na época passada.

HUGO DELGADO/LUSA

Para já, a única das quatro vagas que já está ocupada é a do Sporting de Braga. “Este sempre foi um clube eclético e quero que mantenha este estatuto”, disse ao Expresso o presidente do clube, António Salvador. “Não é por acaso que grandes clubes europeus apostam cada vez mais em equipas femininas, por uma questão de marketing. Trará ao clube uma nova imagem, que julgo será importante na captação de mais mulheres e mais jovens às nossas modalidades, mas também para o público no estádio.”

Para entrar diretamente na Liga Allianz, o Sporting de Braga terá de cumprir as duas condições exigidas pela FPF no convite: manter a equipa em atividade por um período mínimo de três épocas e criar uma equipa feminina de sub-19 (tem três anos para o fazer). E António Salvador ainda acrescenta outra condição interna: lutar pelo título. “Já há convites feitos, embora as contratações ainda não estejam fechadas. Não teremos um plantel qualquer”, garantiu, acrescentando que o patrocinador da nova equipa deverá ficar definido no próximo mês e que as jogadoras bracarenses terão o Estádio 1º de Maio como casa, pelo menos até à construção da Academia e Centro de Estágio do clube, cujas obras - orçadas em €10 milhões - irão arrancar até final deste ano.