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Indemnização ‘sigilosa’ da FPF ao Boavista encerra Apito Final oito anos depois

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Federação Portuguesa de Futebol decidiu abrir os cordões à bolsa e indemnizar os axadrezados pela despromoção compulsiva em 2007

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Oito anos depois de o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) ter determinado a descida na secretaria da equipa do Bessa, chegou segunda-feira ao fim o Apito Final, processo movido pela SAD do Boavista à entidade federativa na sequela do polémico Apito Dourado.

De regresso há dois anos à I Liga após o Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa ter considerada nula a decisão da despromoção na secretaria, o Boavista coloca agora um ponto final no longo diferendo com a FPF, após a direção federativa, liderada por Fernando Gomes, ter chegado a um acordo para pagar uma indemnização à SAD do clube presidido por João Loureiro por perdas e danos.

Através de um comunicado conjunto, ambas as partes informam que acordaram “terminar os processos judiciais que mantinham” desde a época 2007/2008, ficando “liquidados todos os créditos e débitos existentes” entre as duas entidades.

FPF e Boavista adiantam ainda que a partir de agora ficam sanados todos os conflitos jurídicos relacionados com a descida da Boavista FC, SAD, mas nenhuma das duas entidades revela o montante da indemnização acordada, obrigando-se “a manter confidencialidade sobre o acordo”.

Segundo o “Jornal de Notícias”, o valor da compensação rondará os 1,2 milhões de euros, um montante que fonte do clube diz ser “bastante inferior ao negociado”. Ao que o Expresso apurou junto de fonte próxima do clube, entre a verba efetivamente paga pelos cofres federativos e os ganhos indiretos “por conta do que a SAD vai deixar de pagar em juros vincendos, coimas e custas processuais”, o acordo poderá aproximar-se dos 4 milhões de euros, “cerca de metade do valor reclamado nas negociações pelo Boavista”.

Segundo compromisso firmado pela administração da SAD liderada por Álvaro Braga Júnior, a totalidade da compensação acordada será aplicada em exclusivo no pagamento de dívidas ao fisco, conforme garantia prestada no acordo SIREVE (Sistema de Recuperação de Empresas por Via Extrajudicial) do IAPMEI.

O fim da “injustiça”

Em comunicado aos sócios, a direção do Boavista afirma que, além da compensação económica, o acordo tem ainda um valor simbólico para o clube por ser um reconhecimento da “injustiça praticada” em relação aos boavisteiros. Para selar a normalização das relações institucionais entre as duas partes, está prevista a realização de um jogo da seleção nacional no Estádio do Bessa, em data a definir.

Após um regresso tranquilo da equipa na época passada à Liga dos grandes sob o comando de Petit, despedido do início da época em curso, a equipa de Erwin Sánchez atravessa uma temporada conturbada, seguindo em 16º lugar na Liga e apenas dois pontos acima da Académica, penúltima classificada do campeonato e equipa abaixo da linha de água, acompanhada do Tondela.

De acordo com fonte do clube, o abate da dívida ao Estado e as negociações de direitos televisivos em curso com a MEO para a época 2016/2017 vão permitir algum desafogo financeiro ao clube para reforçar a equipa já no próximo defeso.