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Nesta história só deu para acreditar durante 23 minutos

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ESTELA SILVA/EPA

O FC Porto já vinha derrotado da Alemanha (0-2) e foi novamente derrotado no Dragão, pelo Borussia de Dortmund (0-1), e está fora da Liga Europa

"Suspension of disbelief" ("suspensão da descrença", de forma literal) é uma expressão inglesa que traduz aquilo que um leitor ou espectador tem de ter para acreditar em histórias que lhe parecem inicialmente pouco plausíveis, sejam em livros, filmes, séries de televisão ou até atos de magia.

Vem isto a propósito da história do jogo de hoje no Dragão, que tem de ter uma crónica inevitavelmente curta, tal como a própria história a foi. É que, depois de derrota na Alemanha, jogadores e treinador portistas pediram-nos que acreditássemos numa reviravolta no Dragão. Era uma história impossível? Claro que não. Difícil? Claro que sim. Mas, ainda assim, possível. Pelo menos durante 23 minutos - o tempo que durou até o Borussia de Dortmund marcar no Dragão.

Mais dominadora e com mais bola, a equipa de Tuchel foi chamando os portistas para o seu meio-campo e quando se viu com espaço no ataque (sem responsabilidades diretas para os centrais de hoje, Layún e Marcano) foi mortífera: Mkhitaryan cruzou para Reus, que rematou de primeira, Casillas fez uma grande defesa, mas o goleador Aubameyang encostou para golo - às três tabelas, depois de a bola bater na trave e em Casillas. O Porto estava fora da Europa? Sim. E Aubameyang estava claramente em fora de jogo quando Reus reamtou, apesar de nada ter sido assinalado.

O golo do Dortmund deixava a eliminatória em 0-3 e, por muito que gostássemos de suspender a nossa descrença, já não era possível. O Porto nunca foi acutilante no ataque - exceção para um lance individual de Evandro que passou perto da baliza - e o jogo ficou mais do que resolvido. Os restantes minutos foram para cumprir calendário: saiu Aboubakar, entrou Suk, saiu Varela, entrou Brahimi (ainda mandou uma bola à trave no final do jogo), saiu Evandro, entrou Herrera, mas a história foi sempre a mesma. Como diria Jesus: o que interessa agora é o campeonato.