Siga-nos

Perfil

Expresso

Desporto

Futebol mundial tem novo patrão

  • 333

CURIOSO. Notas, notas, notas por todo o lado. Tal como a corrupção

REUTERS/

Esta sexta-feira, o mundo do futebol vai descobrir outro depois de Blatter, que está no poder desde 1998. As eleições são em Zurique

Passou-se em maio de 2015 mas ao contrário daquelas coisas das quais se diz “parece que foi ontem”, esta parece que acontecem há séculos, tantas foram outras coisas que se lhe seguiram. Em maio de 2015, vamos lá recordar, houve uma rusga a um hotel luxuoso de Zurique e foram detidos, pelo FBI e por autoridades suíças, 14 tipos com ligações à Federação Internacional de Futebol (FIFA).

Falou-se de lavagem de dinheiro, de corrupção, fraude e clientelismo. Aconteceu de tudo: o edifício de Sepp Blatter abanou, vários dirigentes foram sacudidos lá de dentro cá para fora, outros tantos (41) foram detidos e estão em prisão domiciliária, Blatter foi reeleito e depois banido, e Michel Platini candidatou-se e também foi banido; no entretanto, foram convocadas eleições extraordinárias e estas estão marcadas para amanhã.

Há cinco candidatos à presidência da FIFA, e é neles que nos vamos concentrar.

O senhor dos sorteios

Se reconhece esta cara, de certeza que é daqueles que se sentam em frente à televisão a ver os sorteios da UEFA. É este tipo, Gianni Infantino, que serve como mestre de cerimónias quando se misturam aquelas bolinhas e se descobrem os rivais dos jogos que aí vêm. Infantino é o secretário geral da UEFA e por isso tem o apoio dos países da UEFA nestas eleições (54 pontos, um por cada nação futeboleira). Além disso, diz-se que a Conmebol (América do Sul, 10 votos) também estará com ele. Infantino quer que os Mundiais passem de 32 para 40 equipas e se disputem em vários territórios - e não apenas num. É a favor da introdução das tecnologias no futebol.

O senhor que passa xeques

O tipo que estende a mão e usa óculos é o Xeque Salman, presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Também faz parte da realeza do Bahrein, mas isso fica para outras núpcias. Ora, Salman tem o apoio da AFC (47 votos) e da Confederação Africana (CAF, que vale 56 votos), e por isso é o favorito a vencer a primeira volta – o mais lógico é que haja uma segunda volta, porque são precisos 2/3 dos votos para se ser eleito à primeira. O que é que ele propõe? Separar o lado executivo do comercial, para que o poder não esteja todo na mesma mão. Este é o lado solar do Xeque; o lunar esconde um tipo que terá ajudado a identificar 150 atletas envolvidos num movimento pró-democracia no Bahrein. Muitos deles foram torturados e presos.

Há sempre um príncipe, não há?

Este é o Príncipe Ali, o irmão mais novo do Reai Abdulah, da Jordânia. Ele é o candidato derrotado das últimas eleições (ganhou, claro, Blatter), e tem do seu lado os muitos milhões na carteira. É um crítico feroz de Blatter e das manigâncias da FIFA, e isso dá-lhe algum crédito, até porque está fora da grelha e do sistema, e não se lhe conhecem telhados de vidro. Dificilmente será o vencedor, porque não tem os apoios suficientes, mas poderá ser a chave se decidir reverter os seus votos para Infantino – nota de rodapé, o Príncipe não suporta o Sheik.

O Champagne e a rolha

Não se percebe muito bem o que é que Jerome Champanhe (ex-jornalista, ex-diplomata) ainda está a fazer nesta corrida. É que houve tempos em que este francês foi unha com carne com Blatter (entre 1999 e 2010) e já antes ameaçou e recuou nas suas intenções de concorrer à liderança da FIFA. Tem um par de ideias para o futebol, uma delas é alargar o número de países no Mundial, a outra é tirar alguns desses lugares aos países europeus e dá-los aos africanos. Não vai ganhar.

O nome exótico

Tokyo Sexwale tem um passado interessante. Foi parte ativa no movimento anti-apartheid e até esteve preso na mesma prisão de Nelson Mandela. Quer atacar os racistas e os traficantes de crianças que minam o futebol e dar outra pujança à presença africana nos Mundiais. Tem um lado menos linear, negócios mal explicados na extração de minérios na Guiné. E, de certeza, não ganhará porque não tem o apoio público de ninguém. Nem da Confederação Africana de Futebol.