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Come a papa, João Mário, come a papa

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WOLFGANG RATTAY / REUTERS

O Sporting perdeu 1-3 na Alemanha frente ao Bayer Leverkusen e foi eliminado da Liga Europa. Mas ficou no ar a ideia de que os leões podiam ter ultrapassado os alemães se quisessem. Mas não quiseram

Um dia, apanhei Jorge Jesus a jeito e perguntei-lhe duas ou três coisas sobre a vida e a bola e o Sporting. Batatas para aqui, batatas para ali, patati patatá, quis saber o que achava ele de William e de João Mário - e de Téo Gutiérrez. E ele respondeu-me que o William jogava mais do que ele, Jesus, achava que podia jogar; e que o João Mário achava que podia jogar mais do que ele, João Mário, realmente jogava; Téo fica para outra história.

Jesus lá saberá o que diz e terá muitos mais dados do que os meus, que vejo a bola na televisão e no estádio, mas nunca assisto aos treinos dele.

Só que - e desculpe lá, mister - parece-me que o João Mário realmente joga aquilo que ele acha que joga. E isso é muito, seja à direita, ou ao centro e até à esquerda, onde por hoje andou contra o Bayer Leverkusen. Se todos fossem como ele - aliás, bastava que Mané fosse como ele (dois falhanços, ao minuto 36 e ao minuto 57) - e o Sporting tinha passado esta eliminatória, mesmo a meio-gás. Mesmo com Bryan Ruiz, Adrien Silva e Slimani fora do onze. Mesmo com Bruno César e Mané a titulares e Téo a fingir que é algo que já foi e agora não é: um avançado perigoso.

FEDERICO GAMBARINI / EPA

Acho que aqui estamos todos de acordo: o Sporting não passou o Bayer Leverkusen porque o seu treinador não quis. Ou melhor, escolheu não querer, porque tudo o que ele quer é vencer o campeonato, e se isso implica sacrificar o resto, que seja. Aliás, basta lembrar o que ele disse, meio a sério, meio a brincar, na conferência de imprensa quando o Sporting selou a passagem aos 16 avos de final: que os jogadores lhe tinham arranjado um problema. Que seja feita a sua vontade.

É que este Leverkusen corre muito, rouba muito depressa a bola, tal como se vira em Alvalade e se viu na Alemanha, mas não é certinho nem aperta até tirar o oxigénio. Dá espaço, nas costas dos laterais e entre os centrais e os laterais. E sempre que os jogadores de J.J. apertaram com os de Schmidt (há nome mais alemão?), estes também deram buraco. Um problema foi a ausência de Slimani e de Bryan Ruiz; o outro problema foi lá atrás terem Bellarabi pela frente (hoje fez um bis; em Alvalade fizera o golo solitário).

MARIUS BECKER / EPA

Não se ouvirá do Sporting nada mais do que palavras de circunstância, de que nem tudo foi mau, e que o Leverkusen era uma das formações mais fortes da Liga Europa, etecetera, etecetera.

Só que o Sporting, que tem um presidente que pede a outros para comerem papas para poderem chegar ao nível do clube que ele lidera, deixou uma imagem pobre na UEFA. E esta só se apaga se no final houver uma Taça de campeão para celebrar.

P.S. Çalhanoglu fez o terceiro golo já o Sporting estava com a cabeça no jogo com o Vitória de Guimarães - se é que não esteve desde o início.

WOLFGANG RATTAY / REUTERS