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Carros maiores, mais rápidos e mais seguros. A revolução chegou à Fórmula Um

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ANDREU DALMAU / EPA

A partir de 2017, a maior competição de automobilismo do mundo deixará de ser como a conhecemos. Os carros serão mais rápidos - apesar de mais pesados - e os cockpits serão semifechados de forma a prevenir acidentes fatais com os pilotos

Distantes vão os tempos das "caixas de fósforos com rodas" em que corajosos pilotos - na sua maioria magros, de farfalhudo bigode - competiam na Fórmula Um, sem saber se aquela seria a sua última corrida. Após décadas de tentativas (e muitos erros), hoje tudo é programado ao milímetro na mais popular competição automóvel do mundo. Mas a partir de 2017, a Fórmula Um como a conhecemos será bem diferente.

A Federação Automóvel Internacional (FIA) anunciou esta quarta-feira mudanças estruturais na modalidade. A partir da próxima época, todos os carros que competem na Fórmula Um serão maiores, mais pesados, mais rápidos e, numa das maiores mudanças, mais seguros.

Os responsáveis confirmam que, a começar em 2017, os carros terão "cockpits" parcialmente fechados para maior segurança dos pilotos. O modelo final ainda está em estudo mas deverá ser o design criado pela Mercedes o escolhido pelas entidades reguladoras da F1.

A alteração fará com que a cabine do ocupante passe a estar rodeada por uma estrutura protetora removível, em muito semelhante à porta do DeLorean de “Regresso ao Futuro”. A estrutura previne o condutor de ser atingido por estilhaços que voem na pista, causa da morte do piloto da IndyCar Justin Wilson, em agosto do ano passado.

Ainda segundo a FIA, os carros para 2017 serão maiores - as rodas e a asa dianteira aumentam, a asa traseira desce mas fica mais larga - e cerca de 20kg mais pesados.

Apesar do grande aumento de peso numa competição onde cada grama conta para efeitos de aerodinâmica, a organização afirma que os carros serão substancialmente mais rápidos, podendo ser até três segundos por volta mais velozes que os veículos atuais. A ser verdade, prevê-se que todos os recordes de "volta mais rápida" sejam pulverizados já na próxima época.

Outras novidades: haverá mudanças na qualificação dos pilotos; será também atribuído um prémio de "Piloto do Dia" através de uma votação online junto dos adeptos.

Todos os pilotos de automobilismo têm um lado tirado do filme “Top Gun”, onde “sentem a necessidade de velocidade”. O desejo de ser o mais rápido é crucial para se ser o melhor no desporto automóvel, razão que leva os pilotos e as suas equipas a afinar e rever cada milímetro dos carros de competição. Esse desejo, porém, pode também ser fatal para alguns.

Em 60 anos de Fórmula 1, 79 pilotos faleceram devido a acidentes de automóvel. Na memória coletiva ainda figura o caso de Ayrton Senna, em 1994, no circuito italiano de Imola. O piloto brasileiro teve um problema com a direção do carro e seguiu em frente numa curva, chocando com as barreiras de proteção a mais de 200 km/h. Mais recentemente, em outubro de 2014, o piloto Jules Bianchi perdeu controlo da sua viatura e foi ao encontro de uma grua de apoio na pista. O acidente chocou adeptos de todo o mundo e tirou a vida ao jovem piloto.

Os responsáveis da F1 esperam que, com estas alterações, o número de vítimas estagne durante os próximos anos e a segurança dos pilotos não seja um risco inerente à competição.