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Jonas, o empata-empates

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José Sena Goulão/ Lusa

Benfica e Zenit tinham tudo encaminhado para um sonolento empate na 1ª mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões, até Jonas aparecer a fazer o 1-0, já nos descontos

Um “empata” é, de acordo com o dicionário online da Priberam, “aquele que atrapalha, que embaraça o regular andamento de alguma coisa.” Ora, esta noite, na Luz, só houve um homem a atrapalhar o regular andamento de 90 longos minutos de um jogo que nunca foi mais do que sonolento: Jonas, pois claro.

Aos 90+2, Gaitán bateu um livre para a área do Zenit e o melhor marcador do Benfica - solto por um “bloqueio” de Jardel a Garay e Witsel - cabeceou na perfeição para o único golo do jogo. Jonas gritou, tirou a camisola e aqueceu pela única vez uma noite muito fria na Luz.

 Nicolas Gaitan com Aleksander Anyukov, do Zenit

Nicolas Gaitan com Aleksander Anyukov, do Zenit

José Sena Goulão/ Lusa

Sim, as crónicas costumam começar pelo início e não pelo fim, mas nesta 1ª mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões houve muito pouco a relatar entre o início e o fim de uma partida de duas equipas mais preocupadas em não perder do que em ganhar.

O Benfica, escaldado por uma derrota no clássico em que fez muito no ataque e muito pouco na defesa (e com o mesmo “onze” em campo), esteve sempre muito preocupado em não deixar o Zenit mostrar aquilo em que é mais forte, ou seja, as transições para o ataque, e raramente incomodou o guarda-redes Lodygin na 1ª parte, com exceção para um remate frouxo de Pizzi.

HUGO CORREIA/ Reuters

A equipa de André Villas-Boas - treinador habitualmente feliz na Luz - nunca teve muita bola (61% do Benfica contra 39% do Zenit), mas também não a queria. Os russos, dispostos em 4-2-3-1, têm como principal modo de chegar ao golo as tais transições rápidas, mas nem as correrias de Danny e Hulk assustaram Júlio César - e mesmo quando pareciam perigosas eram interrompidas por benfiquistas: André Almeida e Jardel foram amarelados assim e perdem a 2ª mão (do lado do Zenit, Javi Garcia e Criscito também ficam de fora).

Só Witsel e Gaitán protagonizaram dos poucos desequilíbrios de um jogo de equilíbrios, mas ambos viram os guarda-redes adversários negar-lhes o golo, já na 2ª parte. Daí até aos 90' foi um tirinho e o empate que já todos esperavam só não aconteceu porque entrou em ação o empata-empates. A vitória do Benfica não decide nada na eliminatória, mas em jogos de Champions todos os pormenores contam e, na Rússia, o empate já não servirá ao Zenit. Mas para o Benfica - e para Jonas - já não será nada mau.