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E se Messi tivesse falhado? (ou os piores penáltis da História do futebol)

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David Ramos/Getty Images

A conversa em torno do penálti a meias entre Lionel Messi e Luis Suárez visto como um lance genial veio acender a discussão: e se tivesse corrido mal? O Expresso relembra algumas das piores grandes penalidades da história do futebol, onde a tragédia se cruza com o caricato

Foi marcado este domingo e já é considerado o "penálti do ano". A jogada de Lionel Messi e Luis Suárez na goleada do Barcelona frente ao Celta Vigo (6-1) espalhou a controvérsia pelas redes sociais sobre a genialidade – ou arrogância – do lance.

Mas a jogada estudada a meias que Cruyff celebrizou nos anos 80 poderia ter um outro desfecho, um em que ambos ficariam conhecidos por inventar num momento da decisão. O passe que não chega, o guarda-redes que adivinha que a bola sai por cima da trave. Tragédia para uns, alegria para outros, falhar da marca de 11 metros é algo que pode ficar marcado na história do futebol e na carreira dos jogadores protagonistas.

Por falta de arte ou azar no engenho, o Expresso relembra algumas das piores grandes penalidades de sempre.

Lionel Messi

Na primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões em 2015, o Barcelona de Lionel Messi defrontou o Manchester City num jogo emotivo. Depois de sofrer uma falta na grande área perto do final do jogo, o argentino foi chamado a converter a respetiva grande penalidade.

Na hora do remate, o guarda-redes Joe Hart adivinhou o lado e defendeu o penálti. Quando a bola sobra para Messi, o argentino não a domina e resolve cabecear em voo para um resultado caricato, provando que os melhores do mundo também falham.

Como no mais recente lance do Bola de Ouro, o jogo já estava resolvido e os catalães venceram por 2-1, com dois golos de... Luis Suárez.

Robert Pires

O penálti a meias resultou entre Messi e Suárez mas podia muito bem corrido como a Robert Pires, avançado do Arsenal.

Encorajado pelo colega de equipa Thierry Henry, uma das lendas do clube e confesso adepto de jogadas originais, Pires tenta um lance vistoso na hora de converter: aproxima-se da bola e, em vez de um remate ou até de um passe para o lado, tenta rolar a bola por cima, na esperança que chegasse até Henry.

O resultado: Pires apenas toca de raspão no esférico e fica à espera que outro colega de equipa limpasse o erro. A equipa adversária recuperou a bola e o lance ficou para a história como um dos maiores falhanços.

David Beckham

Nos quartos de final do Euro2004, Portugal defrontou a Inglaterra num jogo renhido. Depois dos golos de Michael Owen e Hélder Postiga terem mantido o jogo empatado ao fim de 90 minutos, Rui Costa bem tentou resolver o jogo no prolongamento. Mas Frank Lampard empurrou o jogo para as grandes penalidades.

David Beckham, a estrela da seleção inglesa, foi o primeiro a bater da marca de grande penalidade. Exímio nas bolas paradas, talvez ainda hoje o próprio não saiba bem o que lhe aconteceu no dia em que enviou a bola para o terceiro anel do Estádio da Luz. O inglês culpou uma alegada poça de lama na marca de grande penalidade mas o certo é que falhou e ajudou os portugueses a chegarem à final do Europeu.

Dois anos mais tarde, no Mundial da Alemanha, Portugal e Inglaterra voltariam a decidir um jogo dos 'quartos' nas grandes penalidades, novamente ganho pela equipa das quinas. Beckham jogou mas não chegou a marcar.

John Terry

A escorregadela que deixou o capitão do Chelsea John Terry em lágrimas aconteceu em 2008. Sob o comando de Avram Grant – após o (primeiro) despedimento de José Mourinho – a equipa londrina estava a um pequeno passo de conquistar a sua primeira Liga dos Campeões contra o Manchester United.

Foi também a primeira final europeia de Terry, a quem o piso molhado atraiçoou no momento da decisão. O guarda-redes já estava do lado contrário mas o defesa do Chelsea escorregou e a bola foi à trave e saiu, deitando por terra as aspirações dos ingleses. Não foi o penálti decisivo (o francês Anelka também falhou) mas é este o lance que todos os adeptos do clube londrino lembram.

Amir Sayoud

Fora do radar das grandes ligas europeias, o nome de Amir Sayoud percorreu o mundo pelas piores razões. Num jogo da edição de 2011 da liga egípcia entre o Al Ahly e o Kima Aswan, o médio argelino decide simular o remate para enganar o guarda-redes. Amir Sayoud acaba por se enganar a si próprio, tropeçando e desperdiçando uma boa oportunidade para marcar.

Sergio Ramos

Um dos maiores exemplos do que na gíria futebolística se apelida de "pontapé para a atmosfera", o defesa do Real Madrid Sergio Ramos presenteou os adeptos madrilenos com um falhanço clamoroso, em pleno Santiago Bernabéu.

O incidente ocorreu em 2012, na meia-final da Liga dos Campeões entre o Real e o Bayern Munique, custando aos espanhóis a passagem à final. As redes sociais demoraram a perdoar Sergio Ramos, gozando com o lance meses depois de ter acontecido.

Alessandro del Piero

Pior do que falhar uma vez... só falhar duas vezes. Alessandro del Piero é considerado um dos mais eficazes pontas de lança da história do futebol. Eleito pela FIFA um dos melhores jogadores da sua geração, o italiano tem no currículo um Mundial de futebol e seis ligas italianas. Na Juventus, emblema que representou durante 19 anos, é dono de todos os recordes, sendo o jogador com mais épocas, mais jogos e mais golos ao serviço do clube.

Mas em 2009, na final da Peace Cup – competição amigável de pré-época – o atacante foi chamado a decidir e não só atirou rasteiro para o guarda-redes como falhou a recarga ao atirar por cima. Nem o comentador conteve o riso perante o falhanço, apelidando-o de "um penálti terrível".

Didier Drogba

O penálti em si, ocorrido na final da Taça das Nações Africanas de 2012, que opôs a Costa do Marfim à Zâmbia, não é pior (ou melhor) do que qualquer outro pontapé com demasiada força que acaba por sair por cima da barra.

No entanto, o facto do avançado costa-marfinense Didier Drogba ter desperdiçado uma oportunidade de ouro para resolver a final da competição africana é, por si só, devastador. A Costa do Marfim acabaria por perder o jogo, deixando escapar o título para a Zâmbia.

Especial destaque para a reação do guarda-redes da Zâmbia, que goza com Drogba depois do falhanço, revestindo o lance de contornos ainda mais caricatos.

Peter Devine

Quando temos de recuar até à Northern Premier League (o equivalente inglês ao Campeonato Nacional de Seniores) na longínqua época de 1991-1992, essa simples viagem no tempo deixa logo perceber que este é, de longe, um dos piores penáltis de sempre.

No jogo entre o Lancaster City e o Whitley Bay, o extremo Peter Devine protagonizou um lance insólito. Ao correr para a bola, o jogador tenta a "paradinha", movimento técnico em que simula uma mudança na corrida para a bola na tentativa de ludibriar o guarda-redes.

Como o vídeo mostra, o lance não só lhe correu muito mal –Devine escorregou na relva molhada e falhou a bola – como ainda causou uma lesão ao jogador, que acaba a sair envergonhado e com dores.

Devine não teve uma carreira propriamente gloriosa depois disso mas, graças a este lance, acabou por ficar imortalizado nos vastos compêndios de falhanços do futebol (como uma rápida visita à sua página da Wikipedia pode comprovar).

Roberto Baggio

O penálti que silenciou uma nação. Na final do Mundial de futebol de 1994, nos Estados Unidos, a seleção brasileira de Romário defrontava a Itália de Roberto Baggio.

Com um empate a zero que teimava em ser desfeito, o jogo avançou para a decisão por grandes penalidades. Ao fim de quatro rondas, o resultado ditava um 3-2 a favor dos brasileiros e era a vez de Baggio, o goleador e estrela da seleção italiana, se dirigir para a marca dos 11 metros.

O que se passou de seguida foi um lance que gelou a Itália de então, à procura do seu quarto Mundial de futebol. O país teve de esperar até 2006 para vencer outra final do campeonato do mundo. Baggio, o goleador que conquistou quase tudo o resto, nunca mais teve hipótese de conquistar um Mundial.

  • Parece que o penálti do ano é ilegal (e devia ter sido repetido)

    Suárez entra na grande área ainda antes de Messi tocar na bola. Mas não é o único, pois um defesa do Celta de Vigo também o faz. É uma questão de centímetros que a “olho nu e no dinamismo da jogada” é quase de “impossível perceção” para o árbitro. Duarte Gomes analisa

  • Messi, Suárez e o penálti do ano

    Frente ao Celta Vigo, o Barcelona beneficiou de uma grande penalidade. O marcador de serviço Messi correu para a bola mas em vez de um remate... passou o esférico para Suarez fazer o golo . As opiniões dividem-se entre um lance genial ou o desrespeito pelo adversário