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Parece que o penálti do ano é ilegal (e devia ter sido repetido)

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Suárez entra na grande área ainda antes de Messi tocar na bola. Mas não é o único, pois um defesa do Celta de Vigo também o faz. É uma questão de centímetros que a “olho nu e no dinamismo da jogada” é quase de “impossível perceção” para o árbitro. Duarte Gomes analisa

A grande penalidade partilhada por Lionel Messi e Luis Suárez, que fez manchetes e correu o mundo nas últimas horas, não é legal. E a ilegalidade do lance não tem nada que ver com a peculiaridade da forma de marcação, mas sim com o facto de o avançado do Barcelona e do defesa do Celta de Vigo estarem a menos de 9,15 metros da marca de grande penalidade ainda antes de Messi tocar na bola. Assim, segundos as regras, explica ao Expresso o antigo árbitro Duarte Gomes, o penálti deveria ser repetido.

“Há teoricamente, e com recurso à televisão, uma infração das duas equipas. O que a lei diz, neste caso concreto, é que independentemente do resultado final do penálti, este tem de ser repetido”, diz Duarte Gomes. “Vi uma vez a repetição e estavam todos a focar no Suaréz. Consegui olhar para o defesa do Celta de Vigo e parece-me que tem mais do que um pé dentro da área. Já que estamos a escalpelizar a teoria para o Suaréz, podemos fazer o mesmo para o defesa ”, acrescenta Duarte Gomes.

O que acontece é que antes de Messi chutar a bola pela primeira vez, já Suárez e Carles Planas passaram a meia lua e o retângulo que delimita a grande área, o que não é permitido. Segundo a lei, à exceção do executante e do guarda-redes, todos os jogadores têm de estar a “pelo menos a 9,15 m da marca da grande penalidade”.

“Essa meia lua tem uma única função: definir o perímetro para 9,15 metros. É como se fosse desenhada por um compasso. É exatamente aquela linha que faz com que os jogadores naquele sítio estejam a 9,15 metros tal como os restantes que estão fora da área delimitada pelo retângulo. Não podem estar lá dentro, é como se estivessem a invadir a área”, explica Duarte Gomes.

Caso o defesa do Celta de Vigo não se adiantasse e fosse apenas Suaréz a entrar na área antes do tempo, então aí o Barcelona era penalizado. “Seria punido com um livre indireto no local onde ele [Suárez] chutou a bola”, diz o árbitro português.

“É uma missão de controlo do árbitro e não do assistente”

Momentos como a marcação de uma grande penalidade são de alguma forma propícios a pequenas infrações que nem sempre a equipa de arbitragem consegue detetar. “Dinamicamente é quase impossível de perceber, mas há sempre um jogador ou outro que adianta um pé e não conseguimos controlar isso. O próprio universo do futebol aceita, a menos que seja uma coisa completamente descarada”, refere Duarte Gomes.

Durante a marcação da grande penalidade, o árbitro assistente tem duas funções: verificar se o guarda-redes não move os pés para a frente (fazendo falta) e certificar-se que o esférico ultrapassa completamente a linha de golo. Nunca tem a obrigação de olhar para a jogada ou para o executante.

Neste caso, em que o que está em causa é a posição dos restantes jogadores, “é uma missão de controlo do árbitro principal e não do assistente”. Duarte Gomes justifica, no entanto, que como este “está a olhar para o Messi - para ver se ele vai fazer a paradinha ou alguma infração -, obviamente não consegue ver o posicionamento dos outros jogadores todos”.

“Avisamos sempre para não entrarem na área, mas realmente quando o pontapé é lançado somos obrigados, por lei, a focar no executante. A olho nu, com o dinamismo da jogada e com tantos homens ali, é quase impossível termos a perceção se alguém invade e fica a menos 9,15 metros ou não”, justifica Duarte Gomes.

  • Messi, Suárez e o penálti do ano

    Frente ao Celta Vigo, o Barcelona beneficiou de uma grande penalidade. O marcador de serviço Messi correu para a bola mas em vez de um remate... passou o esférico para Suarez fazer o golo . As opiniões dividem-se entre um lance genial ou o desrespeito pelo adversário