Siga-nos

Perfil

Expresso

Desporto

Adversários Djokovic e Federer juntos contra jogos combinados

  • 333

Clive Brunskill

BBC revela que 16 tenistas que integraram o top 50 mundial na última década estiveram envolvidos em jogos com resultados combinados. Tenistas já reagiram para condenar “crime no desporto”

Na luta contra os jogos combinados no ténis profissional, Novak Djokovic e Roger Federer estão do mesmo lado do court. O tenista sérvio, número um mundial, afirmou esta segunda-feira que os jogos com resultados combinados "são um crime no desporto" e recordou que foi indiretamente aliciado em 2007 para perder um encontro. E Federer, antigo líder e atual número 3 do ranking mundial, diz que a luta contra este escândalo tem de ser idêntica ao combate ao doping no desporto.

"Para algumas pessoas, este tipo de ofertas podem ser vistas como uma oportunidade. Para mim, é um crime no desporto e não há nenhuma justificação para isso. O desporto não tem espaço para esse tipo de problemas, sobretudo o ténis", afirmou Djokovic depois de vencer o sul-coreano Hyeon Chung na primeira ronda do Open da Austrália, torneio que já ganhou por cinco vezes.

O tenista sérvio recordou um episódio em 2007, quando lhe ofereceram cerca de 200 mil euros para perder um encontro no torneio de São Petersburgo, prova em que acabou por não participar. "Não falaram diretamente comigo, mas com pessoas que trabalhavam comigo na altura. Claro que rejeitámos logo. Foi algo que me fez sentir muito mal, porque nunca queria estar ligado a algo desse tipo. Nos últimos seis, sete anos, sinceramente não soube de nada similar", referiu.

O comentário de Djokovic surgiu depois deste domingo a BBC ter divulgado que 16 tenistas que integraram o top 50 mundial na última década, incluindo vencedores de torneios do Grand Slam, estiveram envolvidos em jogos com resultados combinados.

Federer nunca foi abordado para jogos combinados

O tenista suíço Roger Federer, antigo número um mundial, já veio negar ter tido conhecimento de jogos com resultados combinados e defende que é preciso "lutar agressivamente contra esse problema", comparando-o ao doping.

"Temos que ser muito agressivos. É um problema ao mesmo nível do doping. O ténis é interessante para todos, jogadores e adeptos, porque ninguém sabe o resultado. Caso contrário, mais vale nem jogar", afirmou Federer esta segunda-feira, minutos depois de ter passado à segunda ronda do Open da Austrália, o primeiro torneio do Grand Slam deste ano.

Recordista de títulos do Grand Slam, Federer frisou que nunca foi abordado para combinar qualquer encontro e que só teve conhecimento de que tal existia quando, em 2007, Djokovic revelou que lhe ofereceram dinheiro para perder um jogo.

Oito dos 16 estarão no Open da Austrália deste ano

"Na última década, 16 jogadores classificados nos 50 primeiros foram repetidamente assinalados pela Unidade de Integridade do Ténis (TIU) devido a suspeitas de que estariam a combinar resultados de jogos. Todos os tenistas, incluindo vencedores de Grand Slams, foram autorizados a continuar a competir", alega a investigação conjunta da BBC e do sítio na Internet BuzzFeed News.

A cadeia de televisão britânica sustenta as alegações com o acesso a ficheiros secretos, nos quais se inclui uma investigação iniciada pela ATP, em 2007.

"Num relatório confidencial para as autoridades tenísticas, em 2008, a equipa de investigação defendeu que 28 atletas deveriam ser investigados, mas as indicações nunca foram seguidas", afiançou a BBC, indicando que três dos encontros combinados ocorreram no torneio de Wimbledon.

A ATP introduziu um novo código anticorrupção em 2009 e, depois de procurar aconselhamento legal, foi informada de que violações anteriores não poderiam originar processos. No entanto, os documentos a que a estação britânica teve acesso demonstram que a TIU recebeu sucessivos alertas nos anos subsequentes sobre um terço dos jogadores já referenciados, sem que fossem tomadas quaisquer medidas.

A reportagem alega ainda que oito dos 16 tenistas sinalizados estão a disputar o Open da Austrália, que arrancou no domingo.