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Escândalo no atletismo: Rússia foi avisada há seis anos que tinha atletas a correr risco de vida

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O atual presidente da Federação Internacional de Atletismo mostrou-se satisfeito quando os antigos dirigentes da organização foram banidos de forma vitalícia, em novembro passado

Lintao Zhang

Escândalo de doping e corrupção rebentou em novembro e resultou na suspensão da Rússia em todas as competições internacionais. Sabe-se agora que em 2009 a federação mundial já alertara a Rússia para os perigos que os seus atletas corriam

O escândalo rebentou a 9 de novembro do ano passado, quando uma comissão de inquérito independente da Agência Mundial de Antidopagem (AMA) revelou um esquema de dopagem organizado na Rússia que acabou por resultar na suspensão provisória do país de todas as competições.

No entanto, agora é a Federação Internacional de Atletismo (IAAF, o acrónimo em inglês) que se vê debaixo de fogo depois de a AP ter revelado documentos que provam que em 2009 a IAAF avisou a Rússia sobre os alarmantes resultados das análises ao sangue dos seus atletas, noticia a BBC.

De acordo com a televisão britânica, nos documentos a IAAF avisava Valentin Balakhnichev, então presidente da Federação de Atletismo da Rússia (Araf, o acrónimo em inglês), de que os atletas estavam a “colocar a própria saúde e até a própria vida em sério perigo”.

As cartas dirigidas a Balakhnichev enfatizavam ainda que os atletas, que ganharam 13 medalhas no Campeonato Mundial de Atletismo de 2009, registaram “alguns dos mais altos valores registados desde que a IAAF começou a fazer testes”, sugerindo fortemente um “abuso sistemático de dopping”.

Para mais, a AP adianta ainda que em 2012, antes de os Jogos Olímpicos de Londres começarem, a IAAF propôs à Rússia que os casos que envolvessem atletas menos conhecidos fossem tratados de forma “discreta”, relata a televisão britânica. No entanto, a federação já reagiu para defender que tudo se resume a uma priorização dos casos que a organização tinha em mãos.

“Uma mensagem contra a corrupção”

A segunda parte do relatório da AMA que deu a conhecer aquilo que parece ser apenas a ponta do icebergue será apresentada esta quinta-feira e fornecerá novos pormenores sobre o envolvimento da IAAF no escândalo.

A primeira parte do relatório, publicada em novembro passado, levou à suspensão das equipas russas das competições internacionais e à de três altos dirigentes da IAAF: o russo Valentin Balakhnichev, tesoureiro da organização até 2014 e antigo presidente da federação, Alexei Melnikov, antigo técnico da equipa de marcha da Rússia, e o senegalês Papa Massata Diack, ex-consultor da IAAF.

Quando a decisão foi conhecida, o novo presidente da IAAF, o britânico Sebastian Coe, mostrou-se satisfeito: “As suspensões vitalícias anunciadas hoje enviam uma mensagem bem forte àqueles que tentam corromper ou preverter o atletismo, de que serão levados à justiça”, disse em comunicado.