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Imprensa diz “adiós” a Lopetegui. “Villas-Boas é a solução que faz sonhar”

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JOSÉ SENA GOULÃO

O FC Porto acenou com lenços brancos a Lopetegui e a imprensa portuguesa não demorou a fazer previsões de futuro. Em Espanha, fala-se de um clube com “grandes pretensões e pequenas soluções”

Uma liderança amorfa, resultados insuficientes e uma rutura irreparável com a massa associativa: assim justificam, de forma unânime, os jornais desportivos portugueses a decisão do FC Porto de despedir Julen Lopetegui, um ano e meio antes do fim do seu contrato. Embora os pormenores da rescisão ainda estejam a ser ultimados (Lopetegui teria mais de 4,5 milhões de euros para receber até ao fim do vínculo), a imprensa já pensa no futuro, avançando em uníssono o nome de André Villas Boas como “a solução que faz sonhar”.

O empate caseiro frente ao Rio Ave (1-1), esta quarta-feira, terá sido o pontapé de saída para o início do processo de despedimento do técnico. Ao que o “Record” escreve, nessa mesma noite houve de imediato um contacto com o treinador, tendo esta quinta-feira decorrido nova reunião para reavaliar a situação - encontro em que, avança o matutino, a decisão da direção já estaria tomada.

Para o “Record”, é fácil identificar as causas que levaram os dragões a pôr um fim prematuro à era Lopetegui: um “desempenho amorfo na liderança, assente em bases de areia que se desmoronaram rapidamente”; “um modelo de jogo criticado repetidamente, com lacunas nunca corrigidas, resultando num Porto lento e confuso”; a “rutura irreparável” com a massa associativa e, por fim, os maus resultados, que levaram a que o técnico ficasse “sem jangada à qual se agarrar”.

Para o jornal “O Jogo”, Lopetegui “sai antes que seja tarde”. O matutino fala de um “mau futebol e um relacionamento cada vez mais difícil com o plantel” para explicar que Pinto da Costa, até agora defensor do técnico, preferiu agir para não ser obrigado a arriscar tarde de mais.

“Lopetegui não resistiu”. Quem o diz é “A Bola”, que enfatiza que com o empate frente ao Rio Ave o espanhol perdeu o apoio do presidente dos azuis e brancos, “o seu último defensor”. O desportivo anuncia que assim se cumpriu “o desejo da esmagadora maioria dos adeptos”, uma vez que a decisão seria um “desfecho inevitável” por Lopetegui sempre ter criado “anticorpos dentro e fora do clube”.

Villas-Boas, o mais desejado

De lenço branco acenado a Lopetegui mas já com os olhos postos no futuro, a imprensa nacional é unânime em frisar o desejo do FC Porto de voltar a contar com André Villas-Boas, que, segundo “A Bola”, deixou boas memórias aos dragões depois de ali ter cumprido uma época “de sonho”, em 2010/2011.

O problema é que Villas-Boas é atualmente treinador do Zenit e, além de ter contrato até ao fim da época, terá de dirigir a equipa contra o Benfica nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, em fevereiro, o que torna a sua contratação “um cenário de difícil concretização”, diz o “Record”.

No entanto, todos os desportivos concordam que o FC Porto poderá optar por deixar outro técnico - possivelmente Rui Barros, o adjunto que vai, pelo menos, orientar a equipa no dérbi frente ao Boavista - ao leme até ao fim da época, quando Villas-Boas poderá voltar a Portugal. Para o “Record”, neste momento, a única coisa que poderia atrair o técnico português para assumir já o comando dos azuis e brancos seria “um apelo ao coração, com linha direta para Pinto da Costa”.

No caso provável de que Villas-Boas não volte, pelo menos para já, os desportivos avançam os nomes de Rui Barros, o adjunto que poderá assegurar uma transição estável, Jesualdo Ferreira, Luís Castro, Nuno Espírito Santo e Marco Silva, que deverá no entanto terminar a época na Grécia, onde treina atualmente o Olympiakos.

“Grandes pretensões, poucas soluções”

A imprensa espanhola já reagiu ao despedimento de Julen Lopetegui. O “As” avança a possibilidade de Nuno Espírito Santo, treinador do Valência até novembro passado, suceder a Lopetegui (uma hipótese pouco defendida nos jornais lusos). No mesmo título, uma crónica assinada pelo jornalista Aritz Gabilondo lança críticas ao FC Porto, que classifica como “um clube com grandes pretensões e pequenas soluções”: “A vontade de triunfar do técnico contrastou demasiado com um ambiente difícil”.

No jornal “Marca”, o despedimento de Lopetegui é atribuído ao “mau ambiente” que se sentia no seio do clube portuense. O mesmo título noticiara, aquando do empate dos azuis e brancos com o Rio Ave, que o FC Porto “não reagia”.

  • Jornais espanhóis avançam que Julen Lopetegui foi despedido

    O treinador do FC Porto foi afastado, anuncia o desportivo espanhol “As” na sua edição online. Apesar dos maus resultados obtidos, o clube ainda terá pensado manter Lopetegui no banco no próximo jogo, mas o empate com o Rio Ave ditou o fim do contrato. Expresso apurou que anúncio de uma eventual saída deverá ser feito esta sexta-feira de manhã