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É oficial: Lopetegui sai, Rui Barros interino

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A decisão terá sido tomada após o empate frente ao Rio Ave, esta quarta-feira. Lopetegui deixou de contar com a confiança de Pinto da Costa

Estela Silva/Lusa

CMVM pediu esclarecimentos, FC Porto confirmou o que já era dado como certo há várias horas: Lopetegui vai deixar o comando da equipa. A análise ao fim de um ciclo complicado no Dragão

É oficial: Julen Lopetegui já não é treinador do FC Porto. A decisão foi anunciada esta sexta-feira de manhã pela SAD portista num comunicado divulgado no site do clube. A nota oficial também já foi enviada à CMVM, que antecipadamente tinha suspendido as ações da SAD portista por falta de informação relevante sobre a saída iminente do treinador espanhol

A nota oficial adianta que o adjunto Rui Barros assume interinamente a direção técnica dos azuis e brancos. Barros vai assim orientar a equipa no dérbi frente ao Boavista, que acontece este domingo, no Bessa. Rui Barros já orientou o treino da equipa desta sexta-feira de manhã, que arrancou pelas 10h30 no Olival.

O comunicado esclarece que os termos da rescisão ainda estão a ser ultimados entre o técnico e os dragões. Lopetegui era contestado há muito: a derrota caseira com o Dínamo de Kiev em casa, que ditou praticamente o afastamento da Champions deste ano, as mexidas táticas inesperadas na visita ao Chelsea, num jogo em que o FC Porto tinha de marcar mais um golo que os britânicos mas no qual entrou sem ponta de lança, a derrota clara em Alvalade, perante um Sporting de Jesus que foi muito superior, e o empate desta quarta-feira diante do Rio Ave, que jogou muito desfalcado no Dragão, intensificaram o descontentamento dos adeptos, há muito afastados do treinador - e por vezes da própria equipa.

Nem mesmo quando Lopetegui chegou à liderança isolada do campeonato, depois do jogo em casa com a Académica e antes da visita a Alvalade, foi possível o cessar-fogo com os sócios e simpatizantes. Nesse desafio caseiro, o técnico basco mandou aquecer André Silva, menino que os adeptos querem ver crescer na equipa, mas não o colocou em campo a poucos minutos do fim numa altura em que o resultado ia em 3-0 (fechou 3-1): o público queria André Silva, o treinador deu-lhes Bueno. Resultado: assobios, assobios, assobios. Pinto da Costa ainda veio dizer que Lopetegui estava lá para ganhar e não para ser simpático, mas aquele momento era demasiado simbólico para ser ignorado: Lopetegui era um homem sem o apoio dos seus.

Tirando as semanas iniciais, sempre simpáticas para a maioria dos técnicos que chegam a um clube, Lopetegui viveu sempre com o desconforto de lhe verem o melhor plantel mas nunca a melhor equipa. O Benfica foi campeão num ano em que a imprensa da especialidade via no plantel azul e branco o melhor dos três grandes, o Sporting é lider deste campeonato num ano em que há Casillas, Maxi e o jogador mais caro de sempre da história do campeonato (Imbula, mais de €20 milhões) a equipar à Porto - mais uma vez, tem-se escrito que é no Dragão que há o plantel com mais soluções, mas que é noutras paragens que se pratica o bom futebol.

E depois há a chacota alheia. O técnico basco chegou a Alvalade e tinha um “pray for Lopetegui” à espera e escrito num pano erguido pela claque leonina, demonstração paradigmática do que se diz em surdina, nos cafés, nos debates televisivos e afins: os adeptos rivais do FC Porto há muito que veem em Lopetegui uma via aberta para superarem os dragões no campeonato. Lopetegui não tem o carinho dos seus e dispõe do escárnio dos rivais.

Quanto a factos: Rúben Neves será porventura o maior feito desportivo de Lopetegui - viu o miúdo e não teve receio de lhe dar tempo de jogo; Casillas será porventura o maior feito de marketing de Lopetegui - o guarda-redes sempre disse que escolheu o FC Porto porque tinha o conterrâneo à espera no Dragão; o FC Porto que chegou aos quartos da Champions, excetuando o desastre em Munique, foi o maior feito competitivo de Lopetegui; a época sem conquistas, a incapacidade de estabilizar um onze, o desconhecimento do futebol português, a inabilidade de fazer crescer talentos como Imbula ou Tello ou de dispor da fúria de Maxi e da elegância de Bueno estão entre os despistes desportivos de Lopetegui.

A saída é dura, desapaixonada: sai praticamente desprezado pelos seus e gozado pelos demais. E depois há estas imagens recentes, com Lopetegui a segurar a cabeça, mas na verdade o desespero, entre as mãos. E aquela saída solitária no fim do FC Porto-Rio Ave, de costas voltadas para a máquina, é a manifestação fotográfica do desamparo.

JOSÉ COELHO / Lusa