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“O Rui Vitória e o Jesus já têm idade para ter juízo”

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FOTO JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

José Pereira, presidente da Associação Nacional de Treinadores, pede contenção aos técnicos do Benfica e do Sporting. E reconhece que Jesus “extravasou tudo o que é a estratégia comunicacional de um clube”

Num dia foi isto: “As perguntas incómodas tinham de ser feitas em maio de 2011, em maio de 2012, e em maio de 2013. Há dois treinadores obcecados pelo Benfica. Estou aqui para esclarecer a questão porque já chega. Estou a falar assim porque isto chegou à parte pessoa. Há um ano, o Benfica estava em duas provas. Já fez mais cinco pontos na Champions do que na época passada.” Rui Vitória andava a adiar, a adiar, e “explodiu”, segundo a manchete do “Record”.

No dia seguinte, quarta-feira, foi isto: “Como não o qualifico como treinador, não sou mau colega. Para ser treinador, tem de ser muito mais. Fi-lo sair da toca. Quando se conduz um Ferrari, tens de ter andamento para ele.” Jorge Jesus respondeu no estilo marialva que todos conhecem e desqualificou o rival do Benfica.

Estarão Vitória e Jesus a levar isto um bocadinho longe de mais? Perguntámos a José Pereira, o presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), se tinha algo a dizer sobre o bate-boca. “Não gosto do que está a acontecer. Quer um quer outro têm idade suficiente para terem mais juízo. Não prestigia a nossa classe, que tem dado cartas cá dentro e lá fora, a nível internacional.”

O dirigente evita distinções entre o comportamento dos treinadores, mas lá vai dizendo que há “processo de amadurecimento” que não é igual para todos. “O Jesus, ao dizer que o Vitória não era um colega, passou os limites das estratégias comunicacionais, agressivas, do clube.”

José Pereira fala, depois, de um código ético e deontológico a seguir pelos treinadores - “vocês jornalistas também o têm, que eu sei” - publicado no site da ANTF, que à partida todos conhecem. E que todos deviam cumprir. “Nem sempre é assim. Mas tenho de esclarecer uma coisa: o Rui e o Jorge estão em dois dos principais clubes do panorama nacional, mas isso não representa a realidade do nosso futebol.”

Então, o que justifica isto? Nada. “Isto é um jogo, há que ganhar, mas há coisas que extravasam as táticas, há limites. Ainda vou falar com eles, recomendar-lhes bom senso, embora saiba que o mal está feito, não há remédio.”