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Jornais espanhóis avançam que Julen Lopetegui foi despedido

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José Sena Goulão / Lusa

O treinador do FC Porto foi afastado, anuncia o desportivo espanhol “As” na sua edição online. Apesar dos maus resultados obtidos, o clube ainda terá pensado manter Lopetegui no banco no próximo jogo, mas o empate com o Rio Ave ditou o fim do contrato. Expresso apurou que anúncio de uma eventual saída deverá ser feito esta sexta-feira de manhã

O assunto faz manchete no “AS”, um dos mais importantes jornais desportivos espanhóis: Lopetegui foi despedido do FC Porto. O Expresso sabe que a SAD azul e branca está reunida para avaliar a situação do treinador e que o anúncio de uma eventual saída deverá ser formalizado esta sexta-feira. O clube já estará à procura de sucessor.

Mas não é só o “AS” que escreve sobre o tema em Espanha: o La Informácion foi dos primeiros a avançar com a notícia do despedimento do técnico basco, num texto em que defende que o FC Porto “não tomou em linha de conta a trajetória da equipa desde a chegada do treinador em 2014”. De seguida, o jornal enumera aqueles que considera serem os principais feitos, com destaque para a chegada do clube aos quartos da Champions, e lembra que Lopetegui teve de comandar um equipa sempre muito jovem e com constantes e influentes saídas. A “Marca” é mais seca: “Lopetegui será demitido nas próximas horas”.

Lopetegui há muito que é contestado: a derrota caseira com o Dínamo de Kiev em casa, que ditou praticamente o afastamento da Champions deste ano, as mexidas táticas inesperadas na visita ao Chelsea, num jogo em que o FC Porto tinha de marcar mais um golo que os britânicos mas no qual entrou sem ponta de lança, a derrota clara em Alvalade, perante um Sporting de Jesus que foi muito superior, e o empate desta quarta-feira diante do Rio Ave, que jogou muito desfalcado no Dragão, intensificaram o descontentamento dos adeptos, há muito afastados do treinador - e por vezes da própria equipa.

Nem mesmo quando Lopetegui chegou à liderança isolada do campeonato, depois do jogo em casa com a Académica e antes da visita a Alvalade, foi possível o cessar-fogo com os sócios e simpatizantes. Nesse desafio caseiro, o técnico basco mandou aquecer André Silva, menino que os adeptos querem ver crescer na equipa, mas não o colocou em campo a poucos minutos do fim numa altura em que o resultado ia em 3-0 (fechou 3-1): o público queria André Silva, o treinador deu-lhes Bueno. Resultado: assobios, assobios, assobios. Pinto da Costa ainda veio dizer que Lopetegui estava lá para ganhar e não para ser simpático, mas aquele momento era demasiado simbólico para ser ignorado: Lopetegui era um homem sem o apoio dos seus.

Tirando as semanas iniciais, sempre simpáticas para a maioria dos técnicos que chegam a um clube, Lopetegui viveu sempre com o desconforto de lhe verem o melhor plantel mas nunca a melhor equipa. O Benfica foi campeão num ano em que a imprensa da especialidade via no plantel azul e branco o melhor dos três grandes, o Sporting é lider deste campeonato num ano em que há Casillas, Maxi e o jogador mais caro de sempre da história do campeonato (Imbula, mais de €20 milhões) a equipar à Porto - mais uma vez, tem-se escrito que é no Dragão que há o plantel com mais soluções, mas que é noutras paragens que se pratica o bom futebol.

E depois há a chacota alheia. O técnico basco chegou a Alvalade e tinha um “pray for Lopetegui” à espera e escrito num pano erguido pela claque leonina, demonstração paradigmática do que se diz em surdina, nos cafés, nos debates televisivos e afins: os adeptos rivais do FC Porto há muito que veem em Lopetegui uma via aberta para superarem os dragões no campeonato. Lopetegui não tem o carinho dos seus e dispõe do escárnio dos rivais.

Quanto a factos: Rúben Neves será porventura o maior feito desportivo de Lopetegui - viu o miúdo e não teve receio de lhe dar tempo de jogo; Casillas será porventura o maior feito de marketing de Lopetegui - o guarda-redes sempre disse que escolheu o FC Porto porque tinha o conterrâneo à espera no Dragão; o FC Porto que chegou aos quartos da Champions, excetuando o desastre em Munique, foi o maior feito competitivo de Lopetegui; a época sem conquistas, a incapacidade de estabilizar um onze, o desconhecimento do futebol português, a inabilidade de fazer crescer talentos como Imbula ou Tello ou de dispor da fúria de Maxi e da elegância de Bueno estão entre os despistes desportivos de Lopetegui.

A concretizar-se, a saída é dura, desapaixonada: sai praticamente desprezado pelos seus e gozado pelos demais. E depois há estas imagens recentes, com Lopetegui a segurar a cabeça, mas na verdade o desespero, entre as mãos. E aquela saída solitária, de costas para a máquina, é a manifestação fotográfica do desamparo.

José Coelho / EPA