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Haverá em Portugal programas que falem de futebol, só de futebol e nada mais que futebol?

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Os formatos de debate futebolístico nos canais do cabo não são novidade, mas atingiram em 2015 níveis para esquecer, com trocas de insultos e discussões que tiveram tudo menos, hélas, futebol. O Expresso apresentou ao longo das últimas duas semanas os acontecimentos desportivos de 2015 que mais vale esquecer em 2016 - este é o décimo e último artigo

Mariana Cabral

Mariana Cabral

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Jornalista

Carlos Esteves

Carlos Esteves

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A pergunta é esta: o que é que podemos esperar de um programa de debate futebolístico? A resposta difere consoante o país. Em Inglaterra, a tão amada pátria do futebol, a resposta tem passado ultimamente pela aposta cada vez mais forte no conhecimento prático de ex-jogadores, que apresentam a sua visão do que se passa em campo. Às vezes pior - como a 'lapalissada' de Michael Owen, ex-Liverpool e Real Madrid, na BT Sport, a analisar os problemas do Manchester City este mês: "Quando eles não marcam, raramente ganham" -, às vezes melhor, como o caso de Thierry Henry, ex-Arsenal e Barcelona, a explicar a base do jogo que Pep Guardiola procurar implementar como treinador, e Jamie Carragher, ex-Liverpool, a explicar o que é a organização ofensiva do Manchester United (o vídeo é longo e está em inglês, mas vale muito a pena para quem gosta de perceber o que se passa em campo em termos táticos):

É certo que tanto a BT Sport como a Sky Sports são canais especializados em desporto (daí que também contem com outros comentadores de peso como Paul Scholes, ex-Manchester United, e, antes de partir para ir treinar o Valência, Gary Neville), mas haverá em Portugal programas que falem de futebol, só de futebol e nada mais do que futebol? Como, por exemplo, este da Ten Sports, um dos maiores canais asiáticos de desporto:

É certo que a SportTV tenta fazê-lo, com o programa "Resultado Final", às segundas-feiras, mas as análises são quase sempre verbais e não nos moldes visuais apresentados nos vídeos mais acima (e o programa, por vezes, acaba por tornar-se enfadonho). Tal como acontece no "Grande Área", da RTP3, ainda assim um dos poucos programas de futebol em Portugal onde o árbitro nunca é protagonista (o "Maisfutebol", TVI 24, é outro desses exemplos, com uma vertente bem mais relaxada do que os concorrentes).

Ora, isto tudo para nos trazer então ao que devemos esquecer: os programas de futebol com um trio de comentadores em que se debate tudo menos futebol, com insultos à mistura. O caso mais flagrante, ainda que tenha havido altercações pontuais noutros programas (basta relembrar as discussões de Dias Ferreira e Rui Gomes da Silva no Dia Seguinte, da SIC Notícias), é o "Prolongamento".

Não é que o programa da TVI24 fosse propriamente aborrecido quando tinha Fernando Seara, Eduardo Barroso e Manuel Serrão como comentadores, mas é certo que a discussão passou para todo um outro nível quando Seara decidiu sair e a TVI24 chamou para o lugar do ex-autarca um ex-arquivista e jornalista do Independente, que, fazendo jus ao berço jornalístico, não deixa nada por dizer. Para quem não o conhece, eis Pedro Guerra, versão CMTV (pré-TVI24, portanto)...

...numa discussão com Jorge Amaral que ia dando para o torto:

... numa discussão com Octávio Machado que poderá furar os tímpanos aos mais sensíveis:

... numa discussão com Jaime Antunes que levou o antigo candidato à presidência do Benfica a abandonar o estúdio:

O estiloso belicoso de Guerra ('no pun intended', diriam agora os americanos) diferia em tudo da presença de Seara, que primava pela cordialidade nos debates com os restantes comentadores. Por isso, pouco mais de um mês depois de ter entrado no "Prolongamento", Pedro Guerra começou a fazer as primeiras vítimas. Eduardo Barroso não aguentou o "desrespeito", explicou, e abandonou o programa em direto, acrescentando que não conseguia aguentar mais a "indignidade" da presença do comentador afeto ao Benfica.

o vídeo pode ser visto AQUI

O abandono aconteceu na segunda semana de outubro, depois de o presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, ter sido convidado especial, numa emissão que durou bem mais do que o habitual - 2h30 - e que atingiu níveis poucos dignos num programa do género, como o Expresso escreveu AQUI na altura. O único vencedor foi mesmo a TVI24, que nesse mês viu o programa ter uma subida brutal nas audiências, batendo todos os concorrentes.

É que Pedro Guerra, sempre munido de papéis e fotografias em formato XL, não se cala em defesa do Benfica. E quando se diz que não se cala, é porque não se cala mesmo, como acusou Manuel Serrão (e, depois, um exasperado Sousa Martins, moderador do programa):

Apesar do desespero do comentador portista, quem passou a protagonizar novos duelos com Guerra após a saída de Barroso foi o sportinguista que o substituiu: José de Pina. Fazendo jus à profissão - humorista -, Pina aligeirou o ambiente no estúdio (apesar de as discussões - raramente relacionadas com o jogo jogado, acrescente-se - continuarem), principalmente devido à panóplia de adereços que leva com ele. Num dia uma ventoinha, noutro uma espada de "A Guerra das Estrelas", noutro um "manto protetor":

Com mais ou menos graça, a verdade é que entre "Prolongamento", "O Dia Seguinte" (líder nas audiências em 2015) e restantes concorrentes são nove programas de debate futebolístico no cabo - sem contar com a SportTV. Assim, não admira que se diga que só se fala de futebol em Portugal. Mas a questão tem de ser vista ao contrário. É que, mesmo assim, com tantos programas e tanta conversa, fala-se tão pouco de futebol em Portugal.

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