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Ó doutor, isso dói

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FOTO © HEINO KALIS / REUTERS

Chamam-lhe ‘il dottore’ mas ele não cumpre o juramento de Hipócrates, porque o que lhe interessa é ganhar, mesmo que isso signifique ter momentos para esquecer, como despistar um adversário que o idolatra(va). O Expresso continua a apresentar os acontecimentos desportivos de 2015 que mais vale esquecer em 2016

O (bonito) juramento de Hipócrates, recitado pelos doutores novatos na profissão, começa assim:

“Prometo solenemente consagrar a minha vida ao serviço da Humanidade. Darei aos meus Mestres o respeito e o reconhecimento que lhes são devidos. Exercerei a minha arte com consciência e dignidade”.

Ora, ‘il dottore’ não usa bata branca nem salva vidas, mas podia adotar um juramento semelhante para os (poucos) anos de carreira que ainda lhe faltam. Bastava trocar ‘Humanidade’ por ‘motociclismo’ e Valentino Rossi, campeão nove vezes desde a estreia em 1996 e lenda da modalidade, ficava ajuramentado.

O pior era ter de cumprir aquela parte da consciência e da dignidade. Não só ele, mas também Marc Márquez, o puto de 22 anos que idolatrava o mesmo veterano com quem se envolveu em cenas para esquecer este ano, no mundial de MotoGP. Como é que se passa disto - “o Valentino era a minha referência quando eu era criança, o meu herói. Gostava da forma como corria e como se comportava fora da pista. No ano passado visitei-o no rancho dele, foi muito bom” - para isto - “foi uma situação muito estranha, com o Marc a ser o guarda-costas de Lorenzo. Uma vergonha para o motociclismo”? Assim:

Em meia dúzia de meses, o que era fraterno passou a amigável, o que era amigável passou a desagradável e o que era desagradável acabou em desastre. Voltando atrás, antes disto descambar: Márquez, piloto da Honda, começou o ano a tentar revalidar os títulos de 2013 e 2014 no MotoGP (sim, o puto é mesmo talentoso - o novo Rossi, diziam, até com o próprio Rossi a ajudar à festa), mas foram os colegas de equipa da Yamaha, Jorge Lorenzo e Valentino Rossi, a ocupar os primeiros lugares da tabela durante grande parte da época.

A disputa foi renhida mas sem grandes dramas, nem mesmo quando Márquez e Rossi encostaram um no outro (as suas motos, bem entendido) na Argentina. Rossi aguentou e Márquez caiu, mas a coisa passou até à Holanda. Aí, Márquez atacou Rossi com a agressividade do costume, mas o italiano aguentou o toque e conseguiu ganhar a corrida.

Podia ser só mais um toque - em termos oficiais, foi assinalado como um “incidente de corrida” natural - mas foi aí que tudo começou. Na conferência de imprensa, Rossi insinuou que a culpa era de Márquez - “eu já estava à frente” -, Márquez insinuou que a culpa era de Rossi - “eu já estava por dentro” e o ambiente esfriou definitivamente.

Na antepenúltima corrida da época, na Austrália, Rossi, que liderava o Mundial, deixou-se de insinuações e passou ao ataque: disse que Márquez queria ajudar o compatriota Lorenzo a levar o título para Espanha. Marc negou a acusação, claro, recordando o nome do vencedor da corrida em questão: ele próprio.

Seguiu-se, então, o terceiro toque da época (o tal do vídeo ali em cima), onde tudo descambou, porque neste pareceu existir intenção de derrubar o adversário. Rossi foi punido e teve de partir do último lugar da grelha na corrida decisiva, em Valência, e disparou novamente na direção de Márquez e de Lorenzo.

Não lhe valeu de muito. Com Rossi bem lá para trás, Lorenzo conquistou o título, apesar de tanto ele como Márquez terem ouvido assobios quando subiram ao pódio. Isto numa altura em que o jornal italiano “La Repubblica” já tinha acusado os pilotos espanhóis de terem feito um pacto - “o pacto de Andorra”, zona onde Márquez comprou casa, razão pela qual o acusaram de ter fugido aos impostos em Espanha - para beneficiar Lorenzo e prejudicar Rossi.

Os jornais espanhóis “Sport” e “Marca” qualificaram a notícia de “loucura” e “delírio”, mas Rossi não teve dúvidas: “O comportamento de Márquez foi uma vergonha. Tive de lutar contra dois pilotos. Na última corrida todos viram qual era o plano”. Deste plano (ou pacto), ninguém se salva: em março de 2016 há mais MotoGP.

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