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Pense bem neste número: €1372,5 milhões

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Luís Forra

Negócios televisivos de Benfica, Sporting e FCP atingem números imprevisíveis. Tudo somado, é uma fortuna valente: três grandes superam o valor global da liga holandesa, onde há históricos como o PSV e o Ajax. E como será para os mais pequenos?

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Pedro Proença ainda não se pronunciou sobre os acordos televisivos mais recentes do futebol português - €457,5 milhões do FC Porto com a PT Portugal e os €515 milhões do Sporting com a NOS, que se juntam ao €400 milhões do Benfica também com a NOS - mas fonte próxima da Liga Portugal referiu ao Expresso que os valores vêm confirmar “que o mercado português tem um valor muito elevado e isso mostra a força do futebol profissional em Portugal”. No total, trata-se de negócios que atingem os €1372,5 milhões.

Na ótica da Liga, o contrato Benfica/NOS terá produzido um “efeito de alavancagem que tem de ser visto como positivo”. “Vemos esse contrato como mais um dado novo que valoriza o negócio e revela a capacidade que um clube das nossas competições tem para gerar novas receitas”, adianta fonte próxima do líder da Liga.

Apesar de a centralização dos direitos de transmissão televisiva ter sido um dos cavalos de batalha da sua corrida à liderança da Liga, Pedro Proença já afirmou que compreende que cada clube defenda os seus legítimos interesses, o que não invalida que a missão da Liga seja “sempre a de olhar pelos interesses das suas competições como um todo”.

De acordo com o organismo de clubes, “os grandes, ao assinarem contratos de valores elevados, têm responsabilidades acrescidas de contribuir para a viabilização da I e II ligas”, tendo Pedro Proença já alertado, aquando a divulgação do contrato com o Benfica, que num campeonato não há grandes sem pequenos.

Embora as negociações à revelia da Liga de Clubes do Benfica e do Sporting com a NOS e do FC Porto com a Altice não deixe de ser um revés na luta pela centralização dos diretos televisivos, o Expresso apurou que Pedro Proença continua a defender que a Liga deve manter-se como “o tal pivô” que impõe soluções de equilíbrio e sustentabilidade.

De acordo com dados do organismo de clubes, a soma dos contratos Benfica/NOS, Sporting/NOS e FC Porto/Altice já é superior ao valor total da centralização negociada pela Liga holandesa para os seus 18 clubes, “num valor anual de 83 milhões de euros, o que prova que o mercado português tem um potencial imenso”.

Apesar de a força negocial de Pedro Proença junto dos operadores televisivos não ser a mesma sem ter na manga os grandes, a Liga mantém em debate vários grupos de trabalho para uma eventual negociação em pacote para os clubes de menor dimensão, bem como a questão da sustentabilidade da II Liga, que deverá ficar decidida em final de fevereiro.

A criação de mecanismos de solidariedade para diminuir o fosso entre os que mais recebem e os que menos receitas conseguem gerar é um das soluções em análise.

atualização do texto publicado a 28/12/2015