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Negócios televisivos de FC Porto e Benfica superam valor global da liga holandesa

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MIGUEL VIDAL / Reuters

Pedro Proença escusa-se a comentar o milionário contrato entre o FC Porto e a Altice, mas na ótica da Liga os negócios televisivos de águias e dragões “são a confirmação” de que o valor do mercado do futebol português é muito elevado

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Pedro Proença ainda não se pronunciou sobre o acordo televisivo do FC Porto com a PT Portugal, num valor recorde de €457,5 milhões, mas fonte próxima da Liga Portugal referiu ao Expresso que os valores vêm confirmar “que o mercado português tem um valor muito elevado e isso mostra a força do futebol profissional em Portugal”.

Na ótica da Liga, e perante os valores anunciados pelo FC Porto, o contrato Benfica/NOS terá produzido um “efeito de alavancagem que tem de ser visto como positivo”. “Vemos esse contrato como mais um dado novo que valoriza o negócio e revela a capacidade que um clube das nossas competições tem para gerar novas receitas”, adianta fonte próxima do líder da Liga.

Apesar de a centralização dos direitos de transmissão televisiva ter sido um dos cavalos de batalha da sua corrida à liderança da Liga, Pedro Proença já afirmou que compreende que cada clube defenda os seus legítimos interesses, o que não invalida que a missão da Liga seja “sempre a de olhar pelos interesses das suas competições como um todo”.

De acordo com o organismo de clubes, “os grandes, ao assinarem contratos de valores elevados, têm responsabilidades acrescidas de contribuir para a viabilização da I e II ligas”, tendo Pedro Proença já alertado, aquando a divulgação do contrato com o Benfica, que num campeonato não há grandes sem pequenos.

Embora as negociações à revelia da Liga de Clubes do Benfica com a Nos e do FC Porto com a Altice não deixe de ser um revés na luta pela centralização dos diretos televisivos, o Expresso apurou que Pedro Proença continua a defender que a Liga deve manter-se como “o tal pivô” que impõe soluções de equilíbrio e sustentabilidade.

De acordo com dados do organismo de clubes, a soma dos contratos Benfica/Nos e FC Porto/Altice já é superior ao valor total da centralização negociada pela Liga holandesa para os seus 18 clubes, “num valor anual de 83 milhões de euros, o que prova que o mercado português tem um potencial imenso”.

Apesar da força negocial de Pedro Proença junto dos operadores televisivos não ser a mesma sem ter na manga os grandes, a Liga mantém em debate vários grupos de trabalho para uma eventual negociação em pacote para os clubes de menor dimensão, bem como a questão da sustentabilidade da II Liga, que deverá ficar decidida em final de fevereiro.

A criação de mecanismos de solidariedade para diminuir o fosso entre os que mais recebem e os que menos receitas conseguem gerar é um das soluções em análise.