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Nunca mudes, Vítor

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Vítor Pereira é treinador do Fenerbahçe desde o início da época, mas foi antes, na Grécia, que passou por momentos para esquecer

SERGEI SUPINSKY/Getty

Vítor Pereira é um dos melhores treinadores portugueses. Não só dentro de campo, mas nas salas de imprensa, onde não deixa nada por dizer, mesmo depois de ser atacado numa invasão de campo para esquecer. O Expresso apresenta nos próximos dias os acontecimentos desportivos de 2015 que mais vale esquecer em 2016

Há dois tipos de pessoas no mundo: as que adoram cães e as que adoram gatos. Ora, se Vítor Pereira tem gatos em casa ou não só ele (e a família) saberá, mas uma coisa é certa: de cães não precisa ele. Porque não tem medo.

A prova foi dada pelo treinador português em fevereiro deste ano, quando ainda liderava os gregos do Olympiacos (atualmente treina os turcos do Fenerbahçe). Antes de um jogo decisivo contra o Panathinaikos, Vítor Pereira entrou no campo e aproximou-se da zona onde estavam as claques adversárias, identificada na perfeição por uma faixa com a inscrição “zona de guerra”.

Ora quem vai à guerra dá e leva e os gregos que vão à guerra (e à bola) não são propriamente mansinhos: um mascarado entrou no relvado para assustar Vítor Pereira, mas o treinador português retaliou, em vez de bater em retirada. O que se seguiu foi para esquecer: invasão de campo, batatal, jogo suspenso e, uns dias mais tarde, Panathinaikos castigado e campeonato grego interrompido.

E, claro, mais uma conferência de imprensa épica de Pereira (quase ao nível daquelas nas Arábias). “Eu pergunto: eu venho cá jogar com a minha equipa. Não posso entrar dentro de campo? Não posso ver o estado do relvado? Não posso ir às balizas ver como estão as coisas? O gesto que dizes que fiz [com a mão, a chamar] é feito depois do mascarado entrar no campo. Eu quis dizer-lhe que não tenho medo. Sabes porquê? Porque sou homem. Não tenho medo. Nem dele nem de ninguém aqui. Entendes?”

Uns dias mais tarde, o ex-benfiquista Miguel Vítor, no PAOK desde 2013/14, explicou ao Expresso a loucura dos gregos: “Eles entenderam que houve provocação do Vítor Pereira. Aqui há sempre um clima muito quente nos jogos e qualquer coisa pode espoletar o que aconteceu, infelizmente.”

“No ano passado, no dérbi com o Aris, atiraram petardos para os jogadores e o nosso guarda-redes levou com uma garrafa de uísque na cabeça. Há coisas que não podem acontecer, não é seguro uma família ir ao futebol. Não levo as minhas filhas aos jogos grandes, não é seguro”, acrescentou o central português.

Mais tarde, a propósito do FC Porto-Bayern, Vítor Pereira explicou melhor ao Expresso o que se passou na Grécia. “Epá... Eu quando entro num estádio e não o conheço vou sempre ver. Vou ver como está a relva, vou ver se as áreas estão em condições porque gosto que a minha equipa saia a jogar, vou contar os passos entre a linha da área e a linha lateral para perceber a largura do campo, vou ver o aquecimento do guarda-redes adversário para ver como é que ele cai... Eu é que estou errado? Não posso fazer o meu trabalho? Isto é uma provocação? O que se passou foi que entrou um mascarado no campo e ele pensava que eu ia fugir com medo, mas enganou-se. Nem vale a pena irmos mais por aí.”

Pois não. Mais vale esquecer. E recordar apenas o registo de Vítor Pereira no FC Porto, onde se costumava dizer que qualquer um é campeão: 60 jogos na Liga portuguesa, nas épocas de 2011/12 e 2012/13, e apenas uma derrota, perante o Gil Vicente. Derrotas com o Benfica de Jesus? Zero. Títulos de campeão? Dois.

Os adeptos portistas torciam-lhe o nariz, mas a verdade é que desde a saída de Vítor Pereira, no final de 2012/13, que o FC Porto não é campeão

Os adeptos portistas torciam-lhe o nariz, mas a verdade é que desde a saída de Vítor Pereira, no final de 2012/13, que o FC Porto não é campeão

MIGUEL RIOPA/Getty

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