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Mourinho despedido

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JOSÉ COELHO/ Lusa

Sete meses depois de ter conquistado o terceiro título de campeão inglês, o Chelsea despediu o treinador português. BBC diz que o Special One sai sem receber na íntegra a milionária indemnização prevista contratualmente

Findou esta quinta-feira a segunda passagem de José Mourinho pelo Chelsea. O treinador português não resistiu aos maus resultados acumulados esta época à frente do clube londrino e foi despedido esta quinta-feira de manhã, confirma o clube em comunicado. A notícia tinha sido avançada inicialmente pela BBC e pelo “The Guardian”

A derrota de segunda-feira diante do Leicester (2-1), equipa-sensação e atual líder da Premier League, foi mesmo a gota de água que fez transbordar a paciência do patrão Roman Abramovich, que mesmo assim ainda aguentou três dias até avançar com o despedimento, concretizado agora depois de uma reunião.

Nem o facto de ter conseguido apurar o clube londrino para os oitavos de final da Liga dos Campeões safou Mourinho, que esta época em 16 jogos realizados no campeonato britânico apenas ganhou quatro - a equipa é 16ª classificada, apenas um ponto acima da chamada linha de água - , o que contrasta gritantemente com as três derrotas somadas em toda a Premier League da época anterior.

A BBC refere que o Special One sai do Chelsea sem receber o pagamento integral da milionária indemnização de 40 milhões de libras (55 milhões de euros) que se diz constar do contrato assinado com o clube. Adianta ainda que o português terá acordado sair mediante o pagamento dos salários referentes a esta época futebolística.

Na sua primeira passagem pelo clube, Mourinho treinou o Chelsea entre 2004 e 2007, período durante o qual conquistou dois campeonatos, uma Taça de Inglaterra, uma Supertaça e duas Taças da Liga inglesa. Nesse percurso vitoroso que trouxe o Chelsea de volta à ribalta e à condição de campeão só falhou mesmo a vitória numa Liga dos Campeões, tendo o clube atingido duas meias-finais sob o comando luso. Depois de Londres, teve passagens pelo Inter e pelo Real Madrid, marcadas por vários títulos, de entre os quais ressalta a Liga dos Campeões obtida ao serviço da equipa italiana, em 2009/10, a sua segunda depois do triunfo obtido com o FC Porto em 2003/04.

Foi a pensar na muito ambicionada Liga dos Campeões que Roman Abramovich cedeu à tentação de trazer de volta o treinador setubalense, anos depois do primeiro despedimento. Mourinho aceitou o repto e tudo parecia correr bem depois do terceiro título de campeão britânico obtido na época anterior.

O que não estava seguramente nos planos de ambos era a paupérrima performance dos “blues” no presente campeonato. Mesmo com a Champions em aberto, a paciência tem limites e nem as declarações recentes do português (“o melhor treinador para tirar o Chelsea desta crise sou eu”) sossegaram Abramovich. O russo reuniu-se nos últimos dias com a sua equipas de assessores e esta quinta-feira de manhã tomou a decisão há muito aguardada pelos media locais.

A nota oficial que dá conta da rutura não entra em grandes detalhes. O Chelsea começa por agradecer a “imensa contribuição” dada pelo português desde o seu regresso no verão de 2013 e refere que somados todos os títulos conquistados durante as duas passagens por Stamford Bridge sai como o mais vitorioso treinador de sempre da história de 110 anos do clube.

O comunicado adianta depois que clube e treinador reconhecem que os resultados desta época não são satisfatórios e por isso “acreditam ser do interesse de ambas as partes continuarem por caminhos separados”.

Sem qualquer referência ao acordo financeiro alcançado, a nota salienta que o acordo de rescisão foi amigável e que “Mourinho continua a ser muito querido, respeitado e uma figura de relevo para o Chelsea”, pelo que no futuro continuará “a ser acarinhado sempre que regressar a Stamford Bridge”.