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O nevoeiro caprichoso

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O jogo entre o Nacional e o FC Porto foi interrompido e adiado no pasado domingo

HOMEM DE GOUVEIA/ Lusa

Entre 2001 e 2015 foram adiados ou interrompidos 11 jogos por causa do nevoeiro no campo do Nacional, para onde está agendado o União da Madeira-Benfica desta noite, partida referente à 7ª jornada da I Liga e atrasada... devido ao nevoeiro

Marta Caires

Jornalista

O União-Benfica, o jogo atrasado da 7ª jornada da I Liga, está marcado para esta noite no Estádio da Madeira, dois dias depois do Nacional-FC Porto ter sido interrompido por causa do nevoeiro. O estado do tempo já afetou três jogos das equipas grandes na Madeira esta época e coloca em evidência os condicionalismos do campo da Choupana. A falta de visibilidade obrigou a interromper um jogo e a adiar outro, o União-Benfica que está marcado para às 21h desta terça-feira. E se o nevoeiro voltar à Choupana?

O dia desta terça-feira amanheceu sem nuvens na serra. Mas isso, na Madeira, vale o que vale, como é sabido. O campo onde o União da Madeira joga não tem iluminação que permita transmissões televisivas e, por isso, se houver nevoeiro esta noite o árbitro irá seguir as regras. Primeiro esperar, depois adiar como fez a 4 de outubro, o dia em que se devia ter realizado este União-Benfica. É certo que, entre outubro e dezembro, o clube madeirense fez um investimento de 80 mil euros de modo a dotar o estádio da Ribeira Brava de iluminação adequada às transmissões televisivas.

A Liga deverá fazer a vistoria esta semana e, em princípio, o estádio passará a estar apto para todos os jogos, mas o União deverá manter o jogo desta noite e o de domingo próximo, com o Sporting, na Choupana, a casa do Nacional. O União, que se encontra em blackout informativo, entende que é melhor em termos de bilheteira. A Ribeira Brava tem capacidade para 2500 espectadores, e no Estádio da Madeira cabem de 5200. A solução só começa a contar a partir de janeiro.

Se o União parece ter resolvido o problema, o Nacional continua a jogar na Choupana, um campo situado acima dos 600 metros de altitude e sujeito a adiamentos por causa do nevoeiro. “São condicionalismos normais. O campo está aprovado pela Liga, tem as dimensões certas, estacionamentos, balneários e serve até para jogos das competições europeias. Não existe razão para impedir a realização de jogos da I Liga na Choupana”. Saturnino Sousa, diretor de comunicação do Nacional, lembra que, entre 2001 e 2015, foram adiados e interrompidos apenas 11 jogos e, entre dezembro de 2010 e fevereiro de 2015, não houve qualquer incidente. “Este ano o Outono foi mais rigoroso”.

Rivalidades madeirenses

O nevoeiro veio mostrar as más relações e rivalidades entre os três clubes madeirenses da I Liga, o que é em parte consequência dos anos de subsídios do Governo Regional ao futebol profissional. O União reclamou, no início da época, que deveria jogar nos Barreiros e sem pagar. Filipe Silva, presidente do clube, entende que o estádio – a casa do Marítimo – é da região e o União deveria ali poder jogar as suas partidas sem pagar a utilização e até terá enviado uma carta a Carlos Pereira, o seu homólogo maritimista. O Marítimo alega, através do diretor de comunicação, Duarte Azevedo, que nunca recebeu qualquer carta nesse sentido nem foi feito qualquer contacto.

Embora oficialmente o Marítimo se recuse a comentar o nevoeiro da Choupana e os problemas do União, é público que não está disponível para ceder de forma gratuita os Barreiros. O estádio, que era propriedade da região autónoma, foi cedido através de um contrato para garantir ao clube a oportunidade de ter um recinto próprio.

Neste momento, os Barreiros são do Marítimo, que já empatou 13 milhões de euros em obras de melhoramento. Os apoios, no entanto, não são um privilégio do clube. Os Governos de Alberto João Jardim também desembolsaram milhões de euros para o Nacional e para o União.

O Nacional construiu com esses apoios o Estádio da Madeira na Choupana e o União também investiu num complexo desportivo. Os três campos que compõem esse complexo não têm as medidas mínimas oficiais, nem bancadas e há anos que o União joga em campos de outros clubes. A primeira casa emprestada foi da Associação Desportiva de Machico, mas a relação acabou com as portas fechadas à entrada do União. Depois passou para a Ribeira Brava, onde fez a época passada e, com a chegada à I Liga passou a usar a Choupana para os jogos com o Benfica, FC Porto, Sporting, Sporting de Braga e Vitória de Guimarães.

[Texto atualizado às 8h30, com inclusão da altitude do campo da Choupana e o estado do tempo na ilha, esta manhã]