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OREMOS, IRMÃOS. O melhor é rezar para evitarmos as seleções “fava” no sorteio: Itália e Suécia

rAFAEL MARCHANTE/REUTERS

Este sábado, às 17h, são sorteados os grupos do Euro 2016 que será disputado em França. Portugal evita as seleções mais fortes, mas...

Seja em campeonatos, taças, mundiais ou europeus, isto dos sorteios é sempre como um copo com água (ou outro líquido mais espirituoso, se o leitor assim o desejar): tanto pode estar meio cheio como meio vazio.

No que a seleção portuguesa podia controlar, foi limpinho, limpinho: sete vitórias em oito jogos garantiram a qualificação em 1º lugar do grupo I para o Euro-2016. É aqui que está o copo meio cheio: pelo que fez e pelo coeficiente que tem na UEFA, Portugal estará incluído no pote 1 do sorteio de hoje para o Europeu, o que lhe permitirá evitar algumas das melhores seleções: França, Espanha (detentora do título europeu), Alemanha (campeã mundial), Inglaterra e Bélgica estão fora de hipótese como adversários nesta primeira fase.

O problema é que (o copo meio vazio, portanto) entre as restantes 18 seleções que irão compor os seis grupos, juntamente com os cabeças de série (será a primeira vez que um Europeu será disputado com 24 seleções), há outros nomes igualmente fortes: no pote 2 estarão Itália, Rússia, Suíça, Áustria, Croácia e Ucrânia; no pote 3 estarão República Checa, Suécia, Polónia, Roménia, Eslováquia e Hungria; e no pote 4 estarão Turquia, República da Irlanda, Islândia, Gales, Albânia e Irlanda do Norte.

Ou seja, olhando para cada um dos potes, há alguns nomes que saltam à vista como “bolinhas” a evitar no sorteio, que será apresentado pelo ex-internacional francês Bixente Lizarazu e pelo ex-internacional holandês Ruud Gullit, no Palácio de Congressos de Paris (ainda que haja aqui outro aspeto de copo meio cheio: qualificam-se para os oitavos de final os dois primeiros de cada um dos seis grupos e ainda os quatro melhores terceiros classificados).

NO PARLO ITALIANO. Ninguém quer ficar no grupo com uma seleção que já foi campeã mundial quatro vezes

NO PARLO ITALIANO. Ninguém quer ficar no grupo com uma seleção que já foi campeã mundial quatro vezes

RAFAEL MARCHANTE/REUTERS

No pote 2, apesar de haver nomes habitualmente incómodos como a Áustria (que só cedeu um empate na qualificação) e a Rússia (que ficou atrás da Áustria e à frente da Suécia) a “fava” é claramente a Itália, campeã europeia em 1968 (em Itália, precisamente) e finalista em 2000 (ganhou a França) e em 2012 (ganhou a Espanha).

A seleção liderada por Antonio Conte ficou em 1º lugar do grupo de qualificação (no qual tinha como adversários Croácia, Noruega, Bulgária, Azerbaijão e Malta), sem derrotas (mas com três empates) e sem grandes problemas, e só não entra no pote 1 porque a Bélgica (que derrotou os italianos por 3-1, em novembro, num amigável) tem um coeficiente superior.

É certo que a 'squadra azzurra' já não tem o brilhantismo de outros tempos, mas conta com uma forte base da Juventus, finalista da Liga dos Campeões na época passada, e nomes que qualquer seleção não rejeitaria: Buffon, Chiellini, Pogba (todos Juventus), El Shaarawy (AC Milan), De Rossi (Roma), Verratti (PSG) e Immobile (Dortmund), por exemplo.

No pote 3, a seleção que todos quererão evitar é amarela e viu-se desesperada para chegar ao Euro, apesar de ter o que tem. E o que é que tem? Tem Zlatan Ibrahimovic (PSG), provavelmente o único avançado que, se estiver em forma no verão de 2016, poderá fazer sombra a Cristiano Ronaldo na prova.

É ELE. Se há homem que pode ofuscar Cristiano Ronaldo como estrela do Europeu, esse homem é Zlatan Ibrahimovic, apesar de já estar com 34 anos

É ELE. Se há homem que pode ofuscar Cristiano Ronaldo como estrela do Europeu, esse homem é Zlatan Ibrahimovic, apesar de já estar com 34 anos

RAFAEL MARCHANTE/REUTERS

Apesar de ter ficado atrás de Áustria e Rússia na qualificação, os suecos conseguiram superiorizar-se aos vizinhos da Dinamarca no 'playoff', com uma tática que em termos técnicos se designa por “metam a bola no Zlatan que ele resolve” - foi ele a marcar três dos quatros golos que deram a qualificação aos suecos.

Também no pote 3, a prudência (ou, neste caso, a sorte) aconselharia a evitar a República Checa, que já não tem Karel Poborsky a fazer chapéus, como naqueles quartos de final do Euro 1996 de trágica memória para Portugal, mas tem Petr Cech (Arsenal) na baliza e conseguiu conquistar com alguma facilidade um grupo de qualificação que tinha a Holanda, que foi eliminada, a Turquia, que ficou em 3º, e a Islândia, que ficou em 2º.

No pote 4, apesar de Turquia e República da Irlanda terem mais currículo, a seleção que convém evitar é o País de Gales. É verdade que, no geral, é fraquinha, mas está galvanizada pela entrada no Europeu pela primeira vez na sua história.

Apesar de ter tido Ryan Giggs largos anos a liderá-la (e, antes, Ian Rush, o melhor marcador da história de Gales, com 28 golos), a seleção galesa nunca tinha conseguido o feito que conseguiu este ano, em grande parte devido à sua nova estrela, que marcou 7 golos na qualificação (e que persegue, com 19 golos, a marca de Rush): Gareth Bale, o homem que custou ao Real Madrid quase tanto (há quem diga que até mais) como Cristiano Ronaldo. Desde que não o supere no Europeu... os portugueses agradecem.