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Benfica. Faltou um bocadão assim

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MIGUEL A. LOPES/LUSA

Atlético de Madrid venceu na Luz (2-1) e conquistou o 1.º lugar do grupo. Ainda assim, Benfica passa aos oitavos de final da Liga dos Campeões

Depois de Godín colocar a bola dentro da baliza de Júlio César, ao 18 minutos, os benfiquistas suspiraram de alívio. É que o uruguaio estava claramente fora de jogo e o golo foi corretamente anulado. Como se diria na Luz noutros tempos: limpinho, limpinho. Isto apesar do gesto do central do Atlético de Madrid para o árbitro: juntou o polegar e o indicador e torceu o nariz, como quem diz "faltou um bocadinho assim".

Ora se a Godín faltou um bocadinho para ficar em jogo, ao Benfica faltou um 'bocadão' para ficar em 1.º lugar do grupo C da Liga dos Campeões. O que também não quer dizer que a campanha não tenha sido positiva (muito por culpa daquele bocadinho em Madrid), já que a equipa de Rui Vitória assegurou a passagem aos oitavos de final da prova, algo que não acontecia desde 2011/12.

É que tanto Benfica como Atlético de Madrid entraram esta noite na Luz tendo neles todas as precauções do mundo. Com os madrilenos, a postura já não é novidade (defender com os dentes bem cerrados até ganhar a bola e sair de forma rápida e eficaz para o contra ataque) só que, no Benfica, parece também começar a tornar-se norma, como se viu em Braga.

Sim, o Benfica teve muito mais posse de bola na primeira parte do que os visitantes (ali à meia hora de jogo as contas estavam em 65%-35%), mas ela não servia para grande coisa: jogava-se muito para trás e para o lado, sem risco nenhum (nem o miúdo atrevido Renato Sanches se atrevia a mais), de forma a acautelar uma possível transição do Atlético.

Só que nem todas as precauções do mundo servem quando se junta uma organização defensiva deficiente a adversários de altíssima qualidade. Depois de uma variação rápida do centro do jogo para o corredor direito atacante, o (talentoso) Griezmann assistiu (o outro talentoso) Vietto no meio e, com os defesas do Benfica a quilómetros uns dos outros, Vietto ofereceu o golo a Ñíguez, em plena área.

O Benfica continuou a ter mais bola, mas ter os centrais (que são dois) e os médios centro (também são dois, o que já faz quatro) e às vezes até os laterais (outros dois, o que já vai dar seis jogadores) atrás da linha da bola quando se está a sair a jogar dificulta a vida até do mais criativo dos jogadores (excetuando Messi, pronto).

E nem é preciso ter sido profissional para perceber isto (basta ter feito umas jogatanas com os amigos): quando temos a bola, é sempre mais fácil atacar quando temos alguém perto de nós a quem passá-la - à frente, à esquerda, à direita e atrás. Ora - como dizia - o Benfica tem muita gente atrás e muita gente longe, longe de quem tem a bola, o que deixa muitas vezes o portador sem soluções. Uma espécie de bola para a frente e fé em Gaitán. E isto é novidade? Nem por isso. Em termos de organização ofensiva o Benfica demonstra pouquíssimas ideias coletivas, a não ser que juntem os inteligentes do costume: Gaitán e Jonas (e esta terça-feira também Pizzi).

E agora? Barcelona, Bayern de Munique, Zenit...

Ao intervalo, Rui Vitória (ainda com gravata) trocou o apagado Guedes por Mitroglou e a diferença fez-se sentir logo um minuto de depois: o grego fez o primeiro remate perigoso do Benfica no jogo.

Só que o Atlético não perdoa nas transições e aproveitou um ataque rápido para fazer o 2-0: Ferreira Carrasco fugiu pela esquerda e assistiu Vietto, que se antecipou a Jardel e tocou para golo.

Com tudo perdido, Rui Vitória (já sem gravata) deixou as precauções de lado e lançou Jiménez para o lugar de Jonas. E foi Jiménez o primeiro a acertar na baliza de Oblak (sempre assobiado na Luz), aos 64 minutos, e a assistir Mitroglou para o 2-1, aos 75 minutos.

Nos últimos minutos, ainda houve muito coração e pouca cabeça (e algumas arrancadas de Renato), mas o ímpeto serviria de pouco. Apesar de passar aos oitavos de final da Liga dos Campeões, o Benfica fica em 2.º lugar do grupo, o que não lhe permitirá ter um sorteio muito favorável na próxima fase, uma vez que defrontará um dos primeiros classificados dos outros grupos (Barcelona, Bayern de Munique, Zenit, Wolfsburgo...). Parece um pormenor insignificante, mas pode ser a diferença entre um bocadinho e um bocadão.