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Pedro Proença não desiste de negociação em pacote dos direitos televisivos

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Pedro Proença assistiu na Luz ao Benfica-Sporting do campeonato, ao lado do presidente encarnado Luís Filipe Vieira

MIGUEL A. LOPES / Lusa

Apesar da bandeira da centralização dos direitos televisivos ter sido destroçada pelo Benfica, o presidente da Liga de Clubes ainda vai tentar negociar em pacote a transmissão de um conjunto de jogos de clubes da I e II Ligas

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O milionário contrato do Benfica com a NOS para os próximos 10 anos fez soar o toque a rebate na sede da Liga Portugal, no Porto. A correr atrás do prejuízo, Pedro Proença quer debater com urgência a questão dos direitos televisivos do futebol nacional na próxima reunião de direção da Liga, já solicitada mas ainda sem data marcada.

O presidente da Liga, eleito este verão após uma curta mas arrojada campanha eleitoral em que prometeu, entre outras medidas, multiplicar as receitas dos clubes através da negociação em bloco dos direiros televisivos, não comenta as negociações isoladas de Luís Filipe Vieira com a operadora NOS, tendo optado por um lacónico comunicado para reagir revés da centralização.

No comunidado divulgado na noite desta quinta-feira, o organismo refere que a questão dos direitos televisivos “continua a ser um dos temas de interesse prioritário para o quadriénio” e anuncia que, dada a “premência do tema e em função do novo quadro estabelecido”, os direitos televisivos serão debatidos em sede de reunião de direção.

Além de Proença e dos diretores executivos da Liga, integram a direção do organismo cinco clubes da I Liga (Benfica, FC Porto, Sporting, Rio Ave e Guimarães), três da II Liga (Oliveirense, Freamunde e Portimonense) e Hermínio Loureiro, em representação da Federação Portuguesa de Futebol.

Embora a Liga reafirme o empenho “na busca das melhores soluções de sustentabilidade para os clubes e para as competições”, o contrato de 400 milhões de euros celebrado com a NOS para a próxima década enfraquece a posição negocial de Proença junto dos operadores de TV, cerceado da marca campeã nacional em matéria de conteúdos futebolísticos.

Ao que o Expresso apurou junto de fonte da Liga, a deserção do Benfica, que não apoiou a eleição do ex-árbitro internacional, não irá impedir Pedro Proença de tentar “negociar em pacote” um conjunto de jogos de clubes da I e da II Ligas. Resta saber se Pinto da Costa e Bruno de Carvalho, apoiantes da candidatura de Proença, estão dispostos a alavancar as negociações da Liga ou se o divórcio do Benfica comprometeu de vez a bandeira do pretendido contratato coletivo para inflacionar o mercado dos direitos televisivos.

“As recentes notícias apenas vêm demonstrar o que já era nossa convicção: a dimensão e o potencial do mercado português são ainda maiores do que apontavam as expectativas iniciais”, refere o comunicado da Liga.