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“Platini dos Andes” de volta ao Bessa

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Rui Duarte Silva

Erwin Sánchez está de regresso a um lugar onde já foi feliz. Campeão nacional pelo Benfica em 1991 e dez anos depois pelo Boavista, o Platini da Bolívia é o sucessor de Petit na liderança da equipa axadrezada, lugar que já ocupou entre 2013 e 2014

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Três dias depois de Petit ter deixado o Boavista após a derrota (1-2) frente ao rival Vitória de Guimarães, João Loureiro optou por outro filho da casa para orientar a inquieta equipa ‘axadrezada’. Para tentar colocar um fim ao ciclo negro de seis jogos sem vencer, o popular Erwin Sánchez chega ao Porto antes do final de semana, a tempo de orientar o jogo de domingo contra o Arouca e estancar a queda da equipa, atualmente em 15º lugar da I Liga.

Aos 46 anos, o antigo internacional boliviano continua a ser um dos ex-jogadores mais carismáticos de sempre do Bessa, onde venceu a Taça de Portugal e se sagrou campeão nacional no dealbar do século XXI, um título inédito na história do futebol português.

O médio, que jogou ainda no Estoril após deixar a Luz e ingressar no Bessa, sempre disse ser o Boavista o clube do seu coração, razão por que não hesitou em deixar o Bloming, do seu país natal, para se aventurar de novo ao leme da equipa nortenha durante sete meses na época 2003/2004, acabando por ser chicoteado por João Loureiro, impaciente por segurar o lugar europeu do Boavistão, já então com mais ambição do que fôlego financeiro.

Sánchez, em entrevista ao Expresso na sua estreia como treinador, confessou ter sofrido muito para arrumar as botas aos 34 anos para debutar como técnico, sendo então o mais jovem treinador da I Liga, decisão a que não foi alheia a sua vivência de 14 anos em Portugal, onde nasceram os dois filhos do futebolista natural de Santa Cruz.

Na sua estreia como técnico, Sánchez terá sido vítima do seu próprio golpe de sorte: com um orçamento retalhado em 30% em relação à época anterior, a direção do clube da pantera colocou-lhe como objetivo a manutenção tranquila. À 25ª jornada, a equipa seguia em 7º lugar e apenas a três pontos do quarto lugar, que garantia o passaporte para as competições europeias. A perda de pontos que se seguiu custou-lhe o lugar para Jaime Pacheco, ex-técnico campeão do Boavista, depois de ter falhado a experiência em Maiorca e a desejada ida para um grande.

No regresso à Bolívia, Sánchez ainda voltou a jogar - sem brilho - no Oriente Petrolero, onde foi suspenso por agredir um árbitro, antes de ser escolhido para selecionador nacional de 2005 a 2006.

Chegou a Portugal muito jovem contratado pelo Benfica ao Bolívar por 200 mil euros e ganhou a alcunha de Platini da Bolívia devido a seus remates potentes e ao facto de jogar com as meias descaídas, tal como o francês, três vezes melhor jogador europeu.

Sánchez deverá assinar contrato por dois anos e vem acompanhado do adjunto boliviano Juan Bertani. Jorge Couto, Alfredo Castro, Daniel Portela e Nuno Pereira transitam do staff anterior para a nova equipa técnica.