Siga-nos

Perfil

Expresso

Desporto

Benfica: Se é fácil é porque é para nós

  • 333

Octavio Passos/ Lusa

Dois golos nos primeiros 12 minutos descomplicaram um jogo à partida difícil e que poderia por em causa o caminho de Rui Vitória

Ainda se discutia se o penálti de Tonel era mesmo penálti, se o Sporting jogara o que podia ou se não sabia mais, quando o Benfica marcou. Aconteceu aos três minutos, 1-0, um golinho a meias entre Pizzi e Kritsyuk. Estranho. Num jogo destes, entre forças que se equivalem, como o Braga e o Benfica, não era suposto que aquilo acontecesse. Num jogo destes, aliás, usa-se a lengalenga dos detalhes que os decidem, mas só lá mais para o fim, quando o corpo está cansado, a cabeça pensa pior, e os erros acontecem.

E ainda se andava neste rame-rame de repetições elogiosas a Mitroglou, que bem o cabedal que tem, quando o Benfica marcou outra vez. Aconteceu aos 12 minutos, 2-0, um golo a meias entre Lisandro e a defesa do Braga, que deixou a bolinha descoberta mesmo no centro da grande área. A partir daí, tudo mudou. Até esta análise.

Octavio Passos/ Lusa

Porque com 2-0 aos 12 minutos, é fácil dizer que o Benfica joga melhor com um avançado do que com dois, com Gaitán a 10, e Renato e Fesja e Pizzi no meio-campo. É que assim, com a vantagem de dois golos, o Benfica pode entregar a bola, pressionar e contra-atacar, e esperar pelo erro do adversário, que terá a tendência para subir e destapar as costas.

É verdade que Benfica o fez, nem sempre bem, mas sempre com a vontade e o músculo de Fejsa e sobretudo de Renato, um puto feito homem que está a meio caminho entre um Karembeu e um Edgar Davids - o tempo dirá se é um ou outro.

Octavio Passos/ Lusa

Houve correrias e compensações, e Gaitán e Pizzi foram-se revezando naquele jogo de equilíbrios que se procura frente a um adversário que está melhor e mais sustentado. Só para termos uma ideia da fragilidade deste Benfica, este foi o 20º onze em 23 encontros - as lesões, as suspensões, as más decisões e as indecisões, contribuíram à vez (às vezes, todas de uma vez) para estas indefinições.

Mas o Benfica também sofreu três bolas no ferro e Júlio César fez um par de defesas que foram mantendo a baliza encarnada a zero enquanto os minutos se iam acumulando. Era apenas normal que assim fosse, porque, para os mais distraídos, o Braga é provavelmente a equipa que consistentemente melhor joga em Portugal, com dois avançados e ao ataque, como se já fosse o grande que os bracarenses procuram ser.

Perguntar-me-á o leitor: o Benfica jogou como o Braga e o Braga como o Benfica? Talvez. Mas a humildade também é inteligência e, nesta fase da vida, em que Vitória e Vieira querem que os miúdos cresçam, é preciso defender primeiro para atacar depois.