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À luz do lampião

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Quando forem 2h00 da madrugada de domingo, 29 de novembro de 2015, as 24 Horas TT de Fronteira já irão a meio

ACP/MOTORSPORT

Uma corrida nocturna tem outro sabor. Saiba qual a sensação de guiar uma noite inteira à luz do farol lendo esta crónica

Quando forem duas da manhã as 24 Horas TT Vila de Fronteira já irão a meio. Mais de metade desta prova disputa-se sem luz do sol. Ainda que os carros estejam equipados com grandes baterias de luzes, aquilo que se vê e a forma como se guia são coisas completamente diferentes.

Quando chega a nossa vez de conduzir e arrancamos da box, o mundo parece bem iluminado. Contudo, essa sensação depressa se desvanece mal passamos o controlo de entrada: o que se vê é o cone de luz projectado pelas luzes do carro e nada mais. As sombras fazem as valas parecer mais fundas e as saídas das curvas são o que poderíamos chamar o reino da incerteza.

As zonas espectáculo com milhares de espectadores adivinham-se ao longe por causa das fogueiras e das luzes das barracas de comes e bebes. Mas o que é verdadeiramente assustador é o efeito das luzes dos jipes de espectadores a andarem paralelos à pista. Ai de quem os tome pelos farolins traseiros de um concorrente que vai à nossa frente, pois depressa dará por si a rodar fora do trilho, com valas e pedras a surgirem vindas não se sabe de onde, para não falar nas pedras…

Outra coisa que não ajuda é o clarão dos projectores dos adversários mais rápidos a aproximarem-se de nós e a encandearem-nos nos espelhos retrovisores. Esta é a parte má. A parte boa é quando um comboio de três ou quatro carros rápidos nos ultrapassa e durante 300 ou 400 metros vemos, à nossa frente, a pista bem definida até muito longe, quase como se fosse dia.

E falta o inevitável nevoeiro, este ano menos presente por as linhas de água estarem tão secas mas, tal como as bruxas do ditado, lá que o há, há. Misturado com o pouco pó que haja e com o carvão dos escapes dos motores diesel forma uma papa suspensa no ar que distorce as perspectivas e esconde os obstáculos.

Até que, após a hora mais escura, se começa a adivinhar, lá para as seis da manhã, a iminência da aurora. É então que, quando começamos a ver melhor a pista, dizemos para os nossos botões: “ena pá, onde eu andei a passar de noite…”