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Uma cebolada em lume brando salva por uma pitada de ketchup

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Temeu-se o pior no Cazaquistão, mas o Benfica empatou com o Astana (2-2) depois de ter estado a perder por 0-2. Como o Galatasaray saiu derrotado de Madrid, a passagem aos oitavos de final da Champions está garantida. E teve contributo de Jiménez, que não marcava há meses

SHAMIL ZHUMATOV / Reuters

Há três coisas certas na vida: nascemos, morremos e Cristiano Ronaldo marca golos - onde quer que esteja, mais ou cedo ou mais tarde. Por isso, é à sabedoria do homem que já tem um documentário sobre ele que recorremos em matéria nesta coisa de marcar: “Os golos são como o ketchup. Quando aparece, aparece tudo de uma vez”.

A tese mais ou menos culinária de Ronaldo (já lá vamos à de Rui Vitória...) aplicou-se esta tarde a Raúl Jiménez, avançado do Benfica que já não marcava (aliás, foi o único que marcou esta época) desde 29 de agosto, em jogo contra o Moreirense, apesar de ser aposta regular de Rui Vitória.

O tempero do mexicano salvou o Benfica de ser “comido de cebolada”, para utilizar uma expressão (culinária) do “bom garfo” Rui Vitória, no Cazaquistão, onde esteve a perder por 0-2 com o Astana, um clube cuja tradição na Champions começou precisamente esta época (também não podia ser há muito mais tempo, dado que foi fundado em 2009).

SHAMIL ZHUMATOV / Reuters

O Benfica precisava de ganhar para sentenciar a passagem aos oitavos de final da Liga dos Campeões, mas teve muitas dificuldades para se impor no sintético do Astana, perdendo inúmeras bolas no meio-campo (hoje com Samaris a '6' e o puto Renato Sanches a '8') e demorando demasiado tempo a reagir a essa perda.

Foi precisamente num lance assim - Jiménez a perder a bola à entrada do meio-campo, com Samaris demasiado aberto à direita e Sanches à esquerda - que o Benfica sofreu o primeiro golo, aos 19'. O Astana partiu para uma transição rápida para o ataque (como tentou fazer invariavelmente), pela esquerda, Kabananga cruzou e Twumasi, que vinha de lá longe, conseguiu ultrapassar um Eliseu meio alheado da jogada e marcar o primeiro.

Como se a noite (no Cazaquistão o jogo começou às 21h) não estivesse suficientemente má para a defesa do Benfica (Lisandro, que substituiu o lesionado Luisão, somou passes errados atrás de passes errados e arriscou a expulsão ao travar um contra ataque adversário que Júlio César parecia ter controlado), ainda ficou pior aos 32', quando ninguém se fez à bola num livre lateral bombeado para a área, deixando Anicic encostar sozinho.

SHAMIL ZHUMATOV / Reuters

Apesar da falta de ideias em termos ofensivos (que falta faz Gaitán...), o Benfica ainda conseguiu reduzir antes do intervalo, num golo praticamente caído do céu: Sílvio marca um lançamento lateral rapidamente, aproveitando a desmarcação de Jonas, e o brasileiro cruza a bola para a área, onde aparece Jiménez a antecipar-se ao central e a cabecear para golo.

Esperava-se uma entrada mais forte do Benfica na 2ª parte, mas, apesar das boas arrancadas de Renato (uma delas, seguida de uma grande passe para Guedes, ia dando golo), foi sempre o Astana a estar mais perto do terceiro golo do que o Benfica do segundo.

Aos 64', Sílvio saiu lesionado para a entrada de Almeida (e Samaris deu o lugar a Talisca) e foi o novo lateral a cruzar para o segundo de Jiménez, desta vez com a canela, aos 73'. Apesar do empate, a equipa de Rui Vitória não forçou mais o golo (entretanto entrou Cristante e saiu Jonas - Carcela, cuja qualidade no 1x1 podia fazer a diferença, ficou sentado no banco), limitando-se a gerir o resultado.

É que o empate não garantia a qualificação, mas quase: bastava esperar que o Galatasaray não vencesse esta quarta-feira à noite em Madrid frente ao Atlético (e não venceu). Ou seja - voltando às metáforas culinárias -, a cebolada ficou em lume brando. Ou melhor, em refogado. Pelo menos até segunda, dia de Braga-Benfica (21h, SportTV1).

SHAMIL ZHUMATOV / Reuters