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Si a ti te gusta, a mim enjoa-me

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FERNANDO VELUDO/ Lusa

O FC Porto foi surpreendido no Dragão pelo Dínamo de Kiev (0-2) e comprometeu a passagem aos oitavos de final da Liga dos Campeões

O leitor mais sensível (e pedagógico) é capaz de se espantar, mas em tempos tive um treinador de futebol que, quando via uma defesa menos conseguida de um guarda-redes num treino, gritava assim, alto e bom som: “Hoje temos frango para jantar!”

Vem isto a propósito daquilo que Yarmolenko comeu (ou melhor, não comeu) antes de entrar esta noite em campo no Dragão. “Não joguei o primeiro jogo contra o FC Porto porque me senti enjoado, portanto antes deste jogo nem vou comer para não arriscar”, prometeu então.

Ou seja, Yarmolenko não comeu (e brilhou...), mas houve frango - como dizem os espanhóis, "cantada" ("pollo" é frango que se come e não o que se sofre) - para jantar (enjoar?) no Dragão, quando Casillas cometeu um disparate que sentenciou o jogo a favor do Dínamo de Kiev, aos 65 minutos.

O guarda-redes espanhol assumiu as responsabilidades por só ter defendido com uma mão aquilo que deveria ter sido defendido com duas ("queria agarrar a bola rápido e fui surpreendido. É responsabilidade minha"), mas não foi - de todo - apenas por ele que o FC Porto foi surpreendido em casa (no segundo golo a lentidão de Danilo perante Derlis - que já tinha marcado aos portistas pelo Basileia, na época passada - foi gritante), quando poderia ter sentenciado a passagem aos oitavos de final.

A equipa de Lopetegui começou com mais bola, como é habitual, mas raramente conseguiu ameaçar a baliza dos ucranianos. Pelo contrário, os visitantes começaram retraídos mas foram subindo de produção (e confiança) com o decorrer do jogo, especialmente devido ao talento de Yarmolenko, que concretizou o penálti (ingénuo, ainda que discutível) cometido por Imbula aos 35 minutos.

O golo abalou seriamente o FC Porto, que pareceu sempre algo desorientado em campo, especialmente na segunda parte, quando Lopetegui mudou quase tudo com a entrada de André André (depois das duas bolas que mandou aos postes e do que fez os colegas jogar, apetece perguntar: por que não foi titular?) e a saída de Maxi: Layún passou para a direita, Indi para a esquerda e Danilo a fechar como central (com o resultado que já se conhece no segundo golo...).

Já em desespero de causa, com o 2-0 no marcador, entraram Osvaldo e Corona para os lugares de Brahimi (muito apagado) e Imbula, mas houve apenas coração e pouco futebol.

Com esta derrota, o FC Porto comprometeu seriamente a passagem aos oitavos de final, até porque o Chelsea ganhou em Israel por 4-0. Mas ainda depende de si próprio, como ressalvou Lopetegui: só tem ganhar em Londres, frente ao Chelsea, para passar aos oitavos. E evitar mais enjoos.