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Um camião com velocidade de Ferrari: morreu a primeira grande estrela do râguebi

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Jonah Lomu fez 63 jogos (e 37 ensaios) pela Nova Zelândia antes de se retirar em 2002

Phil Walter/Getty

Era um “camião” (1,96 metros e 120 quilos) com velocidade de um Ferrari (100 metros em 10,8 segundos): Jonah Lomu foi uma lenda dos All Blacks e do râguebi mundial. Morreu com 40 anos

Os adeptos de râguebi podem não apreciar a comparação, mas os de futebol certamente entenderão: Jonah Lomu estava para o râguebi como Pelé para o futebol. Que é como quem diz que mesmo o mais inepto dos fãs, sem perceber patavina de râguebi, provavelmente saberia apontá-lo como grande lenda da modalidade. E mesmo sem saber nomeá-lo: era aquele tipo careca com cara de mau, que mais parecia um TGV a todo o vapor quando pegava na bola e levava tudo pela frente, com uma disponibilidade física impressionante.

O neozelandês, que morreu esta terça-feira aos 40 anos, foi a primeira grande estrela do râguebi, ao brilhar inesperadamente no Mundial de 1995 (como Pelé no de 1958), um ano depois de se ter estreado pela seleção, aos 19 anos (Pelé estreou-se aos 16): o mais novo de sempre.

Nesse Mundial, Lomu marcou sete ensaios e espantou o mundo: como se pára um homem com tamanho de “camião” (1,96 metros e 120 quilos), mas velocidade de um Ferrari (100 metros em 10,8 segundos)? Ninguém sabia. Todos o elogiaram, apesar de a Nova Zelândia ter perdido na final perante a anfitriã África do Sul (sim, foi este Mundial que foi retratado no filme “Invictus”).

“O que aquilo significou para o râguebi... aquele Mundial mudou tudo”, disse Lomu ao “The Guardian”, em agosto deste ano. “Quando olho para trás agora, percebo melhor o impacto que teve. E quando mostram vídeos meus na televisão, os meus filhos olham para mim espantados”, contou.

“Não tenho quaisquer arrependimentos. Guardo com carinho tudo o que consegui no râguebi. Estive numa final de um Mundial na África do Sul, contra a África do Sul, num momento em que um país dividido se uniu. Como disse François Pienaar [o capitão sul-africano]: 'Não eram 80 mil no estádio, eram 44 milhões'.”

Nesse mesmo ano, porém, Lomu descobriu que tinha uma grave doença renal. Continuou a jogar (e a espantar meio mundo), mas por vezes parava para tratamentos. Deixou o râguebi em 2002, já a fazer hemodiálise, e submeteu-se a um transplante de rins em 2004, quando a sua mobilidade já estava ameaçada.

Quando recuperou decidiu voltar à modalidade, mas por pouco tempo. As lesões ameaçaram-no e não conseguiu atingir o objetivo principal do regresso: ir ao Mundial. Voltou a abandonar em 2007. De vez.