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Bendtner e Ibrahimovíc: Os bons rapazes vão para o céu, os maus vão para todo o lado

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Daqui a pouco, Dinamarca e Suécia (19h45, SportTV2) decidem a passagem ao Euro-2016 e há dois avançados corpulentos e carismáticos (e loucos) que procuram lá chegar. Um deles ficará pelo caminho

Hoje há Luxemburgo-Portugal (19h30, RTP), sim senhores, mas dou-vos duas razões para passarem ao lado deste jogo. A primeira, porque é um amigável, no sentido literal da palavra, já que há poucas seleções tão amigas da nossa como a luxemburguesa: há lá tipos que têm os 'nossos' apelidos (Martins, Mota, Delgado); e é, por outro lado, uma equipa fraca, fraquinha, à qual se fazem contas sobre por quantos vai perder [o "Público" escreveu que Pauleta, Simão Sabrosa e Iaúca, quatro golos cada, são quem mais marcou ao Luxemburgo].

A segunda razão é que, mais ou menos à mesma hora (19h15, SportTV2), há a segunda mão do playoff entre a Dinamarca e a Suécia (2-1 para os suecos, na primeira mão) que pode deixar Zlatan Ibrahimovic fora do Euro-2016. Já viu o que seria uma grande competição sem ele? Já, o Mundial 2014, o torneio que ninguém deveria ter visto, palavra de Ibrahimovic.

Aqui vão alguns factos sobre o sueco, o futebolista mais intrigante e carismático do planeta, algo que nem Ronaldo ou Messi discordam. Aliás, não deve ser fácil discordar de um tipo que é cinturão negro em tae-kwon-do, que faz isto, quando lhe apertam os botões errados. Um dia, Zlatan entrou ao intervalo de um jogo, marcou oito golos e a equipa dele ganhou por 8-5. Um dia, Zlatan tornou-se uma palavra no dicionário sueco, que pode ser traduzida como "atreve-te". Um dia, Zlatan pôs um colega no hospital, noutro pegou-se com van Der Vaart (no Ajax), noutro ainda com Onyewu (que lhe partiu uma costela), e nos últimos tempos tem-se atirado a Guardiola (a quem, ciclicamente, chama cobarde).

Só que Zlatan também é o tipo que tatuou as costas e o peito e os braços e as mãos com nomes de crianças que passavam fome e que chora quando lembra o irmão e outros futebolistas perdidos para o cancro. É um jogador ambíguo, e um homem curioso, a quem toda a gente acha piada por isso mesmo, pela irreverência, por mostrar exatamente aquilo que é, um rapaz de ascendência bósnia e croata, que podia jogar pela Bósnia e pela Croácia, mas decidiu ser sueco porque foi na Suécia que cresceu, no bairro Rosengard, em Malmö.

Foi lá que cedo mostrou que jogava muito mais do que os outros, que mandava muito mais do que os outros, e que os outros não tinha mão nele - na sua biografia, uma das suas professoras garante que nunca conheceu um miúdo tão difícil quanto ele. Zlatan, o pequeno macho alfa que se faz grande, estranhamente coordenado como um bailarino clássico, apesar do corpo de um peso pesado, e que ganhou títulos na Holanda (Ajax), Itália (Juventus, Inter e Milan), Espanha (Barcelona) e França (PSG). Se ele perder, perdemos todos.

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Lord Bendtner

Todos, menos Nicklas Bendtner. É que de um lado da ponte está Malmö e do outro está Copenhaga, a cidade onde nasceu Nicklas Bendtner, há 27 anos. Bendtner é uma espécie de miúdo prodígio do futebol dinamarquês, que deixou a Dinamarca com 17 anos para jogar no Arsenal. Nas reservas do Arsenal, aliás. Faz parte do esquema de Arsène Wenger, comprar tipos baratos e jovens, pô-los a crescer e a rodar em equipas menores, para, mais tarde, integrarem o plantel principal. Bendtner fez isso tudo: reservas, empréstimo ao Birmingham, estreia na equipa A e.... puff. Em 2008, Bendtner e o colega de equipa Adebayor pegaram-se em campo e tiveram de ser separados pelo árbitro e por outros arsenalistas. A época não acabou bem e na seguinte Bendtner mudou de número de camisola, não fosse o que tinha estivesse enguiçado. Não era o algodão, que não engana; era ele que estava enganado.

Sofreu um grave acidente de carro, lesionou-se, foi apanhado com as calças em baixo à saída de uma discoteca, discutiu com um taxista e mostrou-lhe o que costuma andar tapado pela roupa, e quase se engalfinhou numa pizzaria take-away por estar com os copos. Mas nunca lhe faltou clube (Arsena, Birmingham, Sunderland, Juventus e Wolfsburgo), moral ("Vou ser o melhor avançado da Premier League") e palco. Nas redes sociais, tal a bazófia do dinamarquês, criou-se uma conta-paródia no twitter chamada Lord Bendtner, porque houve uma altura na vida de Bendtner em que o amor tinha o nome e a cara de uma baronesa riquíssima, Caroline. Os jornais dinamarqueses fizeram-lhe a vontade e compraram-lhe um terreno na Escócia para que Nicklas pudesse, efetivamente, ser um lorde.