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Nesta ninguém apostava: Sporting goleado na Albânia

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Bruno Paulista disputa bola com Kristi Vangjeli

ARMANDO BABANI/ EPA

Tudo o que podia correr mal ao Sporting, na Albânia, correu bem ao Skënderbeu, que venceu por 3-0

No dia 22 de outubro, comecei a crónica do jogo do Sporting contra o Skënderbeu (5-1), em Alvalade, assim: “Com ou sem rotatividade no onze inicial, nem o mais pessimista dos sportinguistas imaginaria outro desfecho que não a vitória do Sporting, esta noite, em Alvalade. É verdade que o registo leonino na Liga Europa até agora não era propriamente auspicioso (derrota em casa com o Lokomotiv e empate na Turquia com o Besiktas), mas o adversário desta quinta-feira era ainda mais verdinho nestas coisas da Europa: não só não tinha qualquer ponto e golo marcado, como foi a primeira equipa albanesa a conseguir a qualificação para a fase de grupos da prova.”

Duas semanas depois, voltamos ao mesmo: com ou sem rotatividade no onze inicial, mesmo com o Skenderbeu já com um golo marcado (e uma investigação à perna porque a Federbet achou que houve muitas apostas durante o jogo de Alvalade), nem o mais pessimista dos sportinguistas imaginaria sofrer uma goleada na Albânia. O problema é que, esta noite, tudo o que podia correr mal ao Sporting, correu bem ao Skenderbeu (sim, é lei de Murphy).

Jorge Jesus voltou a escolher os jogadores menos utilizados da equipa para a competição que vê como secundária: Rui Patrício, Jonathan, Tobias, Ewerton, Esgaio, Adrien, Paulista, Mané, Matheus, Montero e Tanaka. Exceção feita para Patrício e Adrien, habitualmente titulares, todos os outros costumam estar na segunda linha sportinguista - e hoje não deram quaisquer razões a J. J. para passarem para a primeira linha.

O Sporting começou o jogo com mais bola, mas foram os albaneses, sempre compactos na defesa e rápidos no ataque, a marcar logo na primeira oportunidade (no primeiro de três minutos impensáveis que mudaram o jogo): Esquerdinha irrompeu pela área contrária e rematou para as mãos de Patrício, mas a defesa do guarda-redes português foi parar ao meio da área, onde estava Lilaj sozinho para fazer o 1-0.

Correu mal. Mas podia melhorar, certo? Errado. O choque piorou logo a seguir: Jonathan (exibição desastrada) fez um atraso com pouca força, Lafiti chegou à bola antes de Patrício e o guarda-redes fez penálti. Pronto, correu mal outra vez. Mas podia melhorar, certo? Errado. Apesar de Tobias estar bem perto do lance (que foi descaído para a direita da área), o árbitro achou (erradamente...) que havia razão para expulsar Patrício.

Acabaram assim os poucos minutos de Tanaka (depois daqueles 45' contra o Vilafranquense) no jogo, uma vez que o avançado japonês foi sacrificado para permitir a entrada de Boeck, que não conseguiu defender o penálti de Lilaj. 2-0.

Mesmo em inferioridade numérica, esperava-se alguma réplica do Sporting, perante os albaneses que se limitaram a defender o resultado e a sair para o contra ataque. Só que, para além de alguma vontade de Adrien, Paulista e de um remate de Matheus, os jogadores do Sporting pouco mostraram e não criaram qualquer oportunidade de golo.

Nem na 1ª, nem na 2ª parte, onde tudo o que podia correr mal continuou a correr mal: depois de um atraso de Ewerton (este em condições) Boeck ofereceu a bola a Nimaga, que se limitou a fazer um chapéu para a baliza do Sporting.

Como se o 3-0 e a exibição medíocre ainda não fossem suficientes, houve mais uma coisa a correr mal: Ewerton lesionou-se e teve de ser substituído por Paulo Oliveira. E pronto, 3-0. “Correu tudo mal”, disse João Mário no final. “Vamos chegar às 6 da manhã e só conseguiremos treinar sábado. Domingo temos um jogo importante que não podia hipotecar. São decisões”, explicou Jesus. É certo que o Sporting dá prioridade ao campeonato, mas prioridade não é exclusividade e a Liga Europa não é a Taça da Liga. E um resultado tão mau na Europa não fica bem a ninguém.