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O professor Lopetegui diz que é tudo muito difícil mas aqui ninguém chumba

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ATEF SAFADI/EPA

O FC Porto ganhou em Israel por 3-1, contra a mais fraca das 32 equipas na Liga dos Campeões, e está quase a garantir o acesso aos oitavos de final

A aula do professor Lopetegui em Israel, ontem, começou assim: "É muito fácil fazer matemática. Difícil é ganhar cada jogo." Ora se é fácil somar um mais um e chegar a dois, nesta matemática da Champions também não deveria haver grandes dificuldades para o professor que tem a mania de engrandecer os adversários, por mais pequenos que sejam, perceber que o mais difícil, hoje, em Israel, era não ganhar.

É que isto até é matemática pura: zero (pontos) mais zero (golos marcados) dá zero (perigo) do Maccabi Tel Aviv na Champions, onde a competição é de campeões mas isto de ser campeão em Israel não é nem de perto nem de longe semelhante a ficar em 2º na liga portuguesa. Com oito golos sofridos (dois deles no jogo no Dragão, em que o Porto fez o q. b. para ganhar) e pouco mais digno de registo na Champions, o Maccabi era a pior equipa em prova. Lá está, é matemática.

Por isso - perdão pela repetição -, o difícil aqui era não ganhar. Apesar do ambiente ensurdecedor dos adeptos a apoiar o Maccabi, foi uma questão de tempo até o Porto chegar ao golo: aos 19', André André, esta noite extremo direito (Evandro foi a surpresa no meio, ainda que sem grande sucesso), fletiu para dentro e virou o centro do jogo para a esquerda, onde apanhou Tello sozinho; o extremo fez uma receção orientada para a frente (à Barcelona, diria) que foi meio golo porque ultrapassou logo o defesa adversário e depois só foi preciso um chapéu subtil para marcar ao guarda-redes Rajkovic.

Aqui e ali, o Maccabi ainda tentava sair para o ataque rápido, sempre por Zahavi e Ben Haim II, os dois da frente que apareciam mais em jogo, mas os israelitas até quando tinham espaço acabavam sempre por dar a bola ao Porto, porque não sabiam como fazer mais.

A começar a 2ª parte, o golo só não surgiu no primeiro minuto porque Evandro, descaído para a direita, não soube cruzar para o segundo poste (preferiu rematar) como Maxi fez numa jogada semelhante no minuto seguinte: André, então a extremo esquerdo (sim, a determinação do homem dá para mesmo para fazer tudo), apareceu no meio e cabeceou para o um mais um que dá 2-0.

O 3-0 foi uma repetição do 1-0: jogada do Porto a decorrer pela direita e, com a equipa do Maccabi toda balanceada para aquele lado (até demais), Tello virou o jogo para o corredor oposto, onde irrompia o irrequieto Layun, que rematou com o pé direito para golo.

O jogo, pouco mais do que morno e muito mais do que resolvido, encaminhava-se para o final sem sobressaltos, mas até o senhor Sidiropoulos (o árbitro) percebeu que este Maccabi precisava de uma ajudinha para somar qualquer coisa nesta matemática da Champions: assinalou um suposto penálti de Maxi sobre Zahavi e o capitão fez o primeiro golo dos israelitas na prova. 3-1.

A matemática é fácil e diz-nos que o Maccabi já não vai a lado nenhum porque já está eliminado, mas o Porto só tem de somar mais um ponto, em dois jogos (no Dragão, frente ao Dínamo de Kiev, e em Londres, perante o Chelsea), para se qualificar mais uma vez para os oitavos de final da Liga dos Campeões. Então, é fácil ou não é?