Siga-nos

Perfil

Expresso

Desporto

RTP chega a acordo com a PT para renovar a distribuição dos seus canais no MEO

  • 333

"O novo contrato com a PT é válido por três anos, quando os anteriores eram anuais. Com este acordo a RTP assegura também o grau de estabilidade adequado à valorização dos seus conteúdos", resume o presidente da empresa, Gonçalo Reis

Alberto Frias

Operador público fecha contrato com a PT para ter os seus canais no MEO nos próximos três anos. Novo acordo tem valores abaixo do contrato atual, mas fica longe do corte de 30% previsto inicialmente pela Altice para a renegociação de todos os contratos de fornecimento de conteúdos à PT. "Baixámos a temperatura do sector", diz o presidente da RTP, Gonçalo Reis

A RTP chegou a acordo com a administração da PT para renovar os contratos de distribuição dos canais da estação pública na plataforma de televisão MEO. O acordo foi fechado esta segunda-feira, por valores abaixo dos que constavam no contrato atual, que termina em dezembro. Mas segundo as informações recolhidas pelo Expresso, a redução terá sido substancialmente inferior ao corte de 30% inicialmente pretendido pela Altice, a nova proprietária da PT, na altura em que anunciou a intenção de renegociar os vários contratos de fornecimento de conteúdos e serviços da operadora.

Ao Expresso, o presidente da RTP, Gonçalo Reis, não pormenorizou os valores do novo contrato, mas sublinhou que o acordo alcançado com a PT "garante muita estabilidade" ao operador público. Isto porque permite à estação pública manter "em valores muito semelhantes", nos próximos três anos, as receitas globais geradas pela distribuição dos canais RTP nas várias plataformas de televisão por cabo.

Ou seja, a empresa pública - que em 2014 recebeu cerca de 9,5 milhões de euros dos vários contratos de distribuição dos canais RTP nos operadores portugueses de televisão paga - estima manter nessa ordem de valores as receitas dos próximos anos. O que significa que a renegociação em baixa do contrato com a PT deverá ser parcialmente compensada pela renegociação em alta dos contratos com os restantes operadores, que se aproximarão agora mais dos valores pagos pela dona do MEO.

Além de conseguir evitar uma quebra significativa nas receitas de distribuição dos canais RTP, Gonçalo Reis sublinha ainda que a duração do novo contrato também permite mitigar a "incerteza" em torno destes proveitos. "O novo contrato com a PT é válido por três anos, quando os anteriores eram anuais. Com este acordo a RTP assegura também o grau de estabilidade adequado à valorização dos seus conteúdos", resume.

Gonçalo Reis não especifica os moldes do contrato agora assinado entre a RTP e a PT, mas o Expresso sabe que o acordo do operador público envolve uma verba global por todos os canais e rádios da RTP disponíveis no MEO, e não verbas discriminadas pelos canais generalistas e pelos temáticos.

Recorde-se que o braço de ferro em torno da renegociação dos contratos de distribuição de canais com a nova dona da PT levou os três canais generalistas portugueses - RTP, SIC e TVI - a enviar uma carta conjunta à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), a solicitar uma intervenção do regulador neste processo negocial. Na base dessa carta esteve a alegada intenção da Altice de deixar de pagar para emitir no MEO os canais generalistas RTP1, RTP2, SIC e TVI.

O presidente da RTP recorda que "a frente comum criada pela RTP, SIC e TVI pressupunha que cada um desenvolvia negociações bilaterais com a PT" e defende que o acordo a que o operador público chegou pode ajudar o restante mercado. "Pelo nosso lado, o problema está resolvido. E talvez tenhamos conseguido contribuir para baixar a temperatura do sector", argumenta Gonçalo Reis.

A administração da PT confirma apenas ter chegado a acordo com a RTP para um contrato de distribuição válido para os próximos três anos, defendendo que o acordo alcançado é "benéfico para as duas empresas".