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Adrian Buchan: o surfista “mais inteligente” do circuito mundial de surf

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Kirstin Scholtz/WSL

Adrian Buchan escreveu uma história quando era miúdo que foi publicada em livro em 2009. Depois disso, passaram a considerá-lo “o surfista mais inteligente” e “mais astuto” do circuito mundial de surf. É verdade que o pai é professor de inglês e que Adrian gosta da poesia de William Blake, mas isso não parece ser assim tão relevante. O Expresso está em Peniche a acompanhar a 10ª e penúltima etapa do circuito mundial de surf

Helena Bento

Jornalista

No livro de Adrian Buchan, surfista australiano de 33 anos, um rapaz chamado Macka, que vive no campo, decide fazer uma viagem pela Austrália rural em busca de uma solução para a grave seca que tem vindo a assolar as terras e os rios e a pôr em risco a vida de animais, árvores e plantas em várias regiões do país. Leva consigo Bluey, o seu cão. Pelo caminho, encontra outro rapaz, Yagoona, aborígene, que tem praticamente a sua idade. Macka fala-lhe do seu plano e o rapaz aceita acompanhá-lo. Aventuram-se por lugares que não conhecem e aparentemente inexplorados, e acabam a surfar juntos numa praia no sul da Austrália. A história, apesar de ficcional, remete para um problema real, o das dificuldades que a comunidade indígena continua a enfrentar no país. Por outro lado, esse lugar que é descrito no livro, e que os dois rapazes escolhem para surfar, é real e tradicionalmente ocupado por uma comunidade aborígene. Ace Buchan, como também lhe chamam, lembra-se de em criança ter muita curiosidade por esse lugar. “Sempre achei que era especial”, diz.

Adrian Buchan escreveu esta história quando tinha 12 anos e a pedido de uma professora, e ela foi publicada em livro, em 2009, com o título “Macka's Barrel into the Dreamtime: A Journey in Magic Realism”. Depois disso, passou a ser considerado o tipo mais dotado do circuito mundial de surf, no qual compete desde 2005. Em 2011, a “Surfing Magazine” considerou-o “um dos pensadores mais astutos do tour mundial”. E o site “Encyclopedia of Surfing” refere o seu estatuto de “surfista mais inteligente" do circuito mundial e conta que ele foi 'apanhado' muitas vezes a citar o poeta inglês William Blake em entrevistas e a fazer comentários sobre política e atualidade na sua conta no Twitter. Mas há outros dados que ajudam a compreender toda esta fama: Buchan é filho de um professor de inglês nascido na África do Sul e com um longo passado de viagens pelo mundo, que foi seu professor no último ano da escola secundária e, ao fim de tantos anos, continua a recomendar-lhe livros para ler.

Confrontado com sua própria reputação e com o facto de a sua biografia se distinguir das restantes por causa da sua suposta inteligência, Buchan diz que “sempre houve a ideia de que os surfistas não eram muito interessantes ou inteligentes ou que apenas se dedicavam ao surf e não a outros assuntos, mas que isso está a mudar”. “Todos os surfistas que competem no circuito mundial de surf são interessantes e todos têm uma história para contar. Há atletas de todas as partes do mundo, com histórias de vida incríveis. O Jadson, por exemplo [Jadson André, brasileiro], cresceu numa favela e agora é um surfista profissional que compete no 'tour'; há surfistas que vieram do Taiti, de aldeias incrivelmente pequenas; surfistas que vieram da Austrália e outros que são portugueses”, diz Buchan. E acrescenta que se os jornalistas querem ter “boas respostas”, que não envolvam apenas surf, resultados ou mexericos entre atletas, têm de "fazer as perguntas certas”. É preciso perguntar aos surfistas de onde é que eles vieram, onde e como cresceram, que atividades gostam de fazer além de surfar e que interesses têm, exemplifica.

“Macka's Barrel into the Dreamtime: A Journey in Magic Realism” foi o único livro que Adrian Buchan escreveu e não sabe quando vai escrever o próximo. Com o surf e a filha (Ruby, de um ano e meio, que se aproxima aos passinhos e a agarrar-se às cadeiras, e se junta à nossa conversa com muita curiosidade e pouca vontade de ir fazer uma “nap", como dá a entender ao pai), sobra pouco tempo para o resto. Diz que talvez volte à escrita nos próximos três anos ou então quando deixar o surf. “Gosto muito de escrever e sei que voltarei a fazê-lo em breve, apesar de não saber quando”. Já num tom mais descontraído, de quem está realmente contente por estar num restaurante em Peniche, perto da praia, acompanhado pela família e amigos, Adrian Buchan volta a dizer que campeonatos mundiais de surf são “verdadeiramente interessantes”. “Conhecemos lugares muito diferentes, desde as praias da Califórnia, nessas cidades loucas e gigantes, às do Taiti, que parecem não ser mais do que um conjunto de barcos a flutuar no oceano”.

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